Rio de Janeiro (RJ) – O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) registrou um salto preocupante nas estatísticas de atendimento. Entre janeiro e maio deste ano, 258 pessoas deram entrada na unidade após sofrerem quedas, um crescimento de quase 50% frente ao mesmo período de 2023. Esses episódios representam agora mais da metade de todo o fluxo de pacientes transferidos para o hospital devido a traumas.
A data de 24 de julho, marcada como o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, serve como um lembrete urgente sobre a fragilidade dos mais velhos diante de acidentes que, para um jovem, passariam despercebidos. Por ser uma unidade de alta complexidade, o Into acaba recebendo os casos mais severos, onde a cirurgia costuma ser o único caminho para recompor a estrutura óssea abalada.
O chefe do Centro de Trauma do Into, Tito Rocha, identifica o envelhecimento populacional como o motor desse cenário. Mais de 70% dos feridos têm 60 anos ou mais. É uma matemática implacável: o ganho na longevidade das últimas duas décadas trouxe consigo o aumento natural de doenças e fragilidades físicas. Entre os fatores de risco citados por ele estão a perda de acuidade visual, a diminuição da massa muscular e o comprometimento do equilíbrio natural do corpo.
O que mais impressiona os médicos não é um evento traumático externo, mas a chamada queda da própria altura. Um tropeço na sala de casa ou um escorregão no banheiro costumam ser o estopim. Enquanto um adulto jovem tende a se recuperar rapidamente desses sustos, para o idoso, o impacto frequentemente resulta em fraturas imobilizantes. A partir daí, abre-se um ciclo perigoso de internação prolongada, com o risco crescente de complicações secundárias, como pneumonias e infecções hospitalares.
Risco de mortalidade
As estatísticas sobre a recuperação são duras. A mortalidade associada a esse tipo de fratura em idosos é alarmante: gira em torno de 20% a 30% no período de um ano após o acidente. A fragilidade prévia do paciente dita o sucesso ou o fracasso do tratamento. Quem já apresentava uma musculatura enfraquecida antes da queda enfrenta um pós-operatório muito mais tortuoso.
Para mitigar esses perigos, a recomendação médica é dividir o cuidado entre o corpo e o ambiente. Manter uma rotina de exercícios físicos é a primeira linha de defesa, protegendo contra a perda de massa muscular e o avanço da osteoporose. O tratamento preventivo e o fortalecimento são investimentos diretos na capacidade de recuperação caso algo saia errado.
Adaptação do lar
A segunda frente de batalha é a adaptação dos espaços de convivência. O ambiente doméstico, onde o idoso deveria estar seguro, torna-se uma armadilha sem as devidas precauções. Especialistas recomendam a instalação de barras de apoio em banheiros, a remoção de tapetes soltos — vilões silenciosos nas casas brasileiras — e o uso constante de calçados antiderrapantes. Até a presença de animais de estimação requer cautela redobrada, já que o hábito de se enroscarem nas pernas dos donos é uma causa frequente de desequilíbrios.
Viver mais é uma conquista social, mas exige um olhar atento às limitações impostas pelo tempo. Chegar aos 90 anos com autonomia é o objetivo, porém, alcançar esse marco requer a consciência de que, na terceira idade, o ambiente precisa ser moldado à nova realidade física.













