Brasília (DF) – O custo de vida no Brasil deve continuar pressionado ao longo de 2026, empurrando para cima as expectativas para a taxa básica de juros. Em dados divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central, analistas do mercado financeiro elevaram, pela décima quinta semana consecutiva, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Agora, a projeção para a inflação oficial deste ano está em 5,33%, superando o limite máximo tolerado pela meta.
O teto definido pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5% — com meta central de 3% e margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O cenário recente já reflete esse descompasso: em maio, a alta dos alimentos acelerou a inflação mensal para 0,58%, acumulando uma variação de 4,72% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Diante desse quadro de preços altos, as projeções para a taxa Selic no fim de 2026 subiram de 13,75% para 14% ao ano. Atualmente, os juros básicos estão em 14,25%, após o Comitê de Política Monetária (Copom) aplicar o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual em sua última reunião. O mercado prevê que a próxima redução ocorra no encontro de 4 e 5 de agosto, marcando o encerramento do ciclo de cortes para este ano.
Juros altos por mais tempo
A resistência da inflação ocorre mesmo após o anúncio de um acordo para encerrar o conflito armado no Oriente Médio, fator que vinha encarecendo combustíveis e alimentos globalmente. De junho de 2025 a março deste ano, o Banco Central manteve a Selic estacionada em 15% ao ano — o patamar mais alto em quase duas décadas — para conter o consumo. Embora o Copom tenha iniciado a flexibilização em março, o comitê sinalizou que os próximos passos dependerão estritamente dos indicadores econômicos para garantir o retorno da inflação à meta.
Para os anos seguintes, a expectativa é de desaceleração gradual. A previsão para a taxa de juros é de 12% ao ano em 2027, recuando para 10,25% em 2028 e se estabilizando em 10% em 2029. Em paralelo, as projeções para o IPCA apontam para 4,15% em 2027, 3,7% em 2028 e 3,5% em 2029.
Atividade econômica e câmbio
Apesar do ambiente de juros elevados, que encarece o crédito e freia o consumo de famílias e empresas, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi ligeiramente revisada de 1,96% para 1,98%. No primeiro trimestre, a economia brasileira cresceu 1,1% na comparação com o período anterior, com avanço acumulado de 2% em 12 meses.
A trajetória de crescimento segue o desempenho de 2025, ano em que o PIB registrou alta de 2,3%, impulsionado pelo setor agropecuário e marcando o quinto ano seguido de expansão. Para 2027, analistas projetam um avanço de 1,7% na atividade econômica, seguido por um crescimento estável de 2% em 2028 e 2029. No mercado de câmbio, a cotação estimada para o dólar é de R$ 5,20 ao final deste ano, subindo para R$ 5,27 no encerramento de 2027.











