Brejetuba (ES) – O destino político da Colômbia será selado nas urnas neste domingo (21). Mais do que escolher um nome para a chefia do Poder Executivo, os 53 milhões de habitantes do país definem qual será o peso da nação no tabuleiro geopolítico da América do Sul. A disputa central ocorre entre o senador Iván Cepeda, herdeiro do projeto de esquerda do atual mandatário Gustavo Petro, e o advogado Abelardo De La Espriella, que carrega o apoio explícito de Donald Trump.
A vantagem numérica favorece De La Espriella. No primeiro turno, ocorrido em 31 de maio, ele abriu uma frente de 673 mil votos em um universo de 41 milhões de pessoas aptas a votar. Vale lembrar que o voto no país é facultativo, o que ficou evidente quando apenas 57% do eleitorado compareceu às seções. Agora, a dúvida paira sobre a capacidade de mobilização: a proximidade com a Copa do Mundo e a hesitação de parte dos eleitores moderados criam um cenário de incerteza, similar ao que permitiu a virada de Petro em 2022.
Sebástian Granda Henao, professor da UFGD, observa que o resultado impacta diretamente a balança de poder continental. Para ele, uma vitória do candidato apoiado por Trump significaria a imposição de um modelo de governança focado em obediência. Essa guinada à direita provavelmente interromperia agendas de transição energética e políticas regionais voltadas ao combate à desigualdade, retomando discursos focados em armamentismo, controle de migração e o antigo combate às drogas.
Do outro lado, Cepeda defende a continuidade do Pacto Histórico. O filósofo, filho de um senador assassinado nos anos 90, busca manter o alinhamento com blocos progressistas da região, como o Brasil e o México. Seu trunfo reside nos indicadores econômicos recentes, com ganhos salariais e reformas previdenciária e trabalhista aprovadas, embora o governo ainda lute para conter o histórico de violência política e os embates com grupos armados que atravessam décadas.
O perfil dos concorrentes não poderia ser mais distinto. Cepeda é uma figura tradicional da política de direitos humanos, enquanto De La Espriella se vende como um outsider — embora sua trajetória seja repleta de nomes controversos, incluindo defesas ligadas ao paramilitarismo e ao governo de Nicolás Maduro. O advogado, multimilionário, utiliza a estratégia do “homem forte”, comparando-se a figuras como Javier Milei.
A matemática eleitoral permanece aberta. Embora a candidata Paloma Valencia, terceira colocada, tenha declarado apoio à direita, analistas ponderam que o eleitorado conservador não é um bloco homogêneo. Uma parcela que busca uma direita menos radical pode acabar se abstendo. Com uma Colômbia dividida entre o projeto de “Paz Total” e o ímpeto da nova direita, o domingo reserva uma decisão que transcende as fronteiras do país e alcança os gabinetes em Washington.












