Serra (ES) – A convocação do volante Ederson, da Atalanta, alterou a geografia histórica da seleção brasileira. Com o corte do lateral-direito Wesley por lesão, o clube italiano tornou-se a 78ª agremiação a ter um atleta representando o país em uma edição de Copa do Mundo. Esse grupo seleto, construído desde a primeira participação brasileira no torneio, agora contabiliza 23 times nacionais e 55 estrangeiros.
A influência das ligas globais
O elenco atual, sob o comando de Carlo Ancelotti, foi o motor dessa expansão estatística recente. Antes mesmo da entrada de Ederson, a relação inicial já trazia estreantes como os sauditas Al-Ahli, com o zagueiro Ibañez, e o Al-Ittihad, com Fabinho. O movimento também incluiu os ingleses Brentford e Bournemouth, além do turco Fenerbahçe, diversificando ainda mais o histórico de convocações.
Se Wesley tivesse permanecido na equipe, ele seria o 11º nome da Roma a figurar em um Mundial. O clube da capital italiana mantém sua posição de destaque entre os estrangeiros, figurando atrás apenas do Real Madrid, com 14 representantes, e do Barcelona, com 12. A Inter de Milão, com nove jogadores, fecha o grupo das cinco equipes internacionais que mais cederam talentos ao longo dos anos.
No cenário das ligas, a Itália preserva a liderança absoluta no envio de atletas, um marco consolidado a partir de 1982, quando Paulo Roberto Falcão, então na Roma, iniciou essa trajetória. Contudo, o momento atual é dominado pela Premier League. Com oito chamados para 2026, o campeonato inglês atingiu a marca de 34 convocados históricos, superando a liga espanhola, que soma 33.
Raízes no futebol brasileiro
O domínio entre os clubes do país permanece com o Botafogo. Com a inclusão de Danilo Santos, o alvinegro carioca atingiu 48 convocações, mantendo a liderança sobre o São Paulo, que possui 46. O Flamengo ocupa a terceira colocação, com 39 nomes, à frente de Vasco, com 35, e Fluminense, com 32.
A contagem histórica ainda reserva espaço para outras potências. O Santos, impulsionado pela trajetória de Neymar, chegou a 25 convocações e superou o Palmeiras, que permanece com 24. A lista das dez maiores fornecedoras de talentos brasileiros é completada pelo Corinthians (23), Atlético-MG (12) e Cruzeiro (11).
Essa teia de 17 países diferentes que já viram suas camisas serem usadas por brasileiros em Mundiais reflete a diáspora do jogador nacional. De potências europeias a ligas emergentes no Oriente Médio, a camisa verde e amarela atravessa fronteiras, conectando a história centenária do esporte no Brasil a novos palcos ao redor do globo.










