Vitória (ES) – Na tarde desta quinta-feira, 26, o Palácio Anchieta foi palco de uma cerimônia que reuniu ciência, saúde e reconhecimento. O governador Renato Casagrande entregou a Comenda Jerônymo Monteiro, Ordem Grã-Cruz — a maior honraria concedida pelo Governo do Estado — à bióloga e pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ, principal nome ligado ao avanço das pesquisas sobre a polilaminina no Brasil. Outros cinco médicos do grupo de trabalho da substância e o coordenador da equipe também foram homenageados com a Comenda na Ordem Cavaleiro.
A polilaminina é uma substância experimental que entrou no radar nacional como possível tratamento para lesões medulares — aquelas que comprometem a medula espinhal e, na maior parte dos casos, tiram a mobilidade de quem as sofre. O projeto é brasileiro, desenvolvido dentro de uma universidade federal, e ganhou autorização da Anvisa para avançar nos estudos. O Hospital São Lucas, no Espírito Santo, foi colocado inteiramente à disposição pelo Governo do Estado para colaborar com a pesquisa e os tratamentos.
Visivelmente emocionada, Tatiana Sampaio foi direta no discurso. “Nunca pensei em receber uma homenagem desse tamanho. A polilaminina é nossa, brasileira, desenvolvida dentro de uma universidade federal, e quem a utiliza já reconhece que é algo do Brasil.” Casagrande, por sua vez, destacou o simbolismo do projeto ser liderado por uma mulher e reforçou o posicionamento do ES como o estado com maior investimento em pesquisa e inovação per capita do país. “O trabalho da doutora Tatiana furou a bolha política e mostrou a importância da pesquisa e da ciência”, afirmou o governador.
Além de Tatiana, foram homenageados com a Comenda Cavaleiro os médicos Olavo Borges Franco, Bruno Alexandre Cortes, Marco Aurélio Braz de Lima e Ogari de Castro Pacheco — este último fundador do Laboratório Cristália e senador suplente — e Mitter Mayer Volpasso Borges, coordenador do grupo de trabalho da polilaminina e assessor especial do Governo do Estado.
A cerimônia ainda teve um segundo momento de celebração: a formatura de 159 novos especialistas dos Programas de Residência em Saúde do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde, o ICEPi. São profissionais formados em áreas como Medicina Intensiva, Psiquiatria, Medicina de Família e Comunidade, Saúde Mental, Acupuntura, Cuidados Paliativos, Saúde Coletiva, Clínica Médica e Saúde da Família — todos preparados para atuar diretamente na rede pública.
Os números mostram uma trajetória consistente: 103 formados em 2022, 104 em 2023, 102 em 2024, 114 em 2025 e agora 159 em 2026. Os programas são descentralizados, com cenários de prática espalhados por municípios capixabas, e em 2026 ganham três novas especialidades: Saúde Integral da Criança e do Adolescente, Cirurgia Vascular e Psiquiatria da Infância e Adolescência. O cirurgião-dentista Jamerson da Silva Santos, que atuou em Vila Velha durante a residência, resumiu bem o que a formação representa: “As pessoas passam a ter ainda mais acesso à saúde de qualidade a partir de profissionais com olhares mais humanizados.”
Uma novidade marca a turma deste ano: pela primeira vez, os certificados serão emitidos de forma totalmente digital, pelo iCertifica, plataforma com validade jurídica homologada pelo MEC.
Para quem acompanha de perto a saúde pública na região Serrana do Espírito Santo, a notícia tem uma dimensão prática: parte desses 159 especialistas pode estar atuando — ou passar a atuar — nas unidades de saúde do interior capixaba. Cada residência concluída é um profissional a mais na rede. E cada pesquisa reconhecida é um passo que, cedo ou tarde, chega até quem mais precisa.









