Brasília (DF) – O rastro financeiro do crime organizado no Brasil sofreu um baque de R$ 1,6 bilhão logo no primeiro mês de vigência do programa Brasil Contra o Crime Organizado. O dado, revelado nesta quinta-feira (11), marca o encerramento do ciclo inicial de ações coordenadas entre as esferas federal, estadual e municipal. O projeto, que foi inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês passado, busca desarticular a estrutura econômica das facções em vez de se limitar a ações táticas pontuais.
A força-tarefa mobilizou 9.964 agentes de segurança espalhados por 11 operações de cunho estratégico. O saldo dessas intervenções, além da cifra bilionária de prejuízo, inclui a captura de 7.961 indivíduos sob acusação de envolvimento com grupos criminosos. A logística do tráfico também sentiu o impacto: 82,5 toneladas de drogas foram tiradas de circulação, desabastecendo mercados ilícitos em diversas regiões.
O foco das autoridades não se restringiu apenas ao que é palpável. O Ministério da Justiça e Segurança Pública conseguiu congelar R$ 523 milhões em ativos e bens vinculados a suspeitos, um movimento que visa dificultar a lavagem de dinheiro e a perpetuação da riqueza obtida através do crime. Para o ministro Wellington César Lima e Silva, o cenário aponta para uma ruptura na forma como o Estado encara a criminalidade estruturada.
Estratégia de fôlego
O discurso oficial é de que o trabalho não se resume a operações isoladas, mas à criação de uma política de Estado perene. O objetivo central é sufocar o poder financeiro das facções, dificultar a entrada de armas no país e retomar áreas que hoje fogem ao controle do poder público. A ideia é devolver esses espaços, antes dominados por grupos armados, à convivência cotidiana da população.
A estrutura do projeto é ambiciosa. O planejamento total prevê um aporte de R$ 11 bilhões para impulsionar a segurança pública. Desse montante, R$ 1 bilhão sai diretamente dos cofres da União, enquanto os outros R$ 10 bilhões serão disponibilizados aos estados na forma de linhas de crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Resta saber, contudo, como esse ritmo de apreensões e prisões será mantido a médio prazo, já que o enfrentamento ao crime organizado exige fôlego constante em um terreno onde a disputa por territórios e lucros é dinâmica. O primeiro relatório serve, por ora, como um termômetro da capacidade de articulação entre as polícias sob a nova diretriz federal.













