Brasília (DF) – O boleto da energia elétrica não trará alívio financeiro aos consumidores brasileiros ao longo de junho. Pelo segundo mês consecutivo, a bandeira tarifária amarela continua vigente em todo o território nacional. Isso significa que, para cada 100 kWh consumidos, o valor na fatura sobe R$ 1,88, um incremento projetado para cobrir o encarecimento da produção energética.
A estiagem prolongada é a principal culpada por essa conta mais salgada. Sem o volume de chuvas necessário nos reservatórios das hidrelétricas, a geração natural cai drasticamente. Para evitar o desabastecimento, o sistema precisou recorrer com maior frequência às usinas termelétricas, que funcionam com combustíveis fósseis e possuem custos operacionais consideravelmente mais altos que as hidrelétricas.
O cenário deste primeiro semestre oscilou de forma distinta. Logo nos primeiros quatro meses de 2024, entre janeiro e abril, o consumidor desfrutou da bandeira verde — sinal de que a operação era considerada econômica e estável. A virada ocorreu apenas em maio, quando o índice mudou para amarelo, reflexo direto da alteração nas condições climáticas e do despacho termelétrico que passou a ser necessário.
Quem dita o ritmo desse sistema, operacionalizado desde 2015, é o monitoramento constante sobre o custo de produção de energia. O trabalho técnico de avaliação do cenário cabe ao Operador Nacional do Sistema Elétrico, que analisa o nível das águas, a capacidade das represas e a eficiência das plantas de geração. A partir desses dados, a estratégia de suprimento é desenhada para garantir a segurança energética do país.
A pergunta que fica é até quando o cenário de seca continuará pesando sobre o bolso das famílias e empresas. Enquanto a meteorologia não colaborar para o reabastecimento dos reservatórios, a sinalização amarela serve como um aviso de cautela sobre o uso do recurso. A cobrança adicional funciona justamente como uma compensação orçamentária: as distribuidoras pagam mais pela energia produzida nas termelétricas e o sistema repassa parte desse excedente, diluído entre os usuários, para equilibrar a balança financeira do setor elétrico.










