Brasília (DF) – Mais de 116 mil pessoas passam a contar com nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer na rede pública. A distribuição teve início em 20 centros especializados localizados em 16 estados e no Distrito Federal, com previsão de expansão para todas as unidades até o final do ano. Trata-se da maior inclusão já realizada no Sistema Único de Saúde voltada aos cuidados oncológicos, com impacto financeiro anual de R$ 155,4 milhões apenas na aquisição dos produtos.
A estratégia prevê a chegada de 23 novos fármacos até dezembro, o que ampliará em 35% as alternativas terapêuticas disponíveis na saúde pública. Para viabilizar a entrega de todo o lote, a pasta assumiu a compra direta de dez compostos, articulou uma ata conjunta para a aquisição de outros nove com menor preço pelos estados e aumentou os repasses para o custeio de quatro tratamentos.
As formulações recém-incorporadas atendem a 13 tipos diferentes de tumores e agem conforme o estágio da doença e o perfil clínico de cada paciente. Entre os itens disponíveis estão o trastuzumabe para câncer de estômago, o abemaciclibe para mama precoce, o acetato de lanreotida para tumores neuroendócrinos e o pazopanibe para rim avançado. A lista inclui ainda o rituximabe, abiraterona, gefitinibe, TSH recombinante e sunitinibe, com aplicações voltadas ao aumento da sobrevida e à prevenção de recidivas após intervenções cirúrgicas.
Durante cerimônia realizada no Hospital Beneficência Portuguesa, na capital paulista, o ministro Alexandre Padilha afirmou que a qualificação da rede ocorre com o que há de mais avançado no setor. O titular da pasta destacou que o modelo prioriza o paciente no centro do cuidado, ao assegurar diagnósticos precisos e suporte adequado no tempo correto, além de estruturar as condições de trabalho para as equipes médicas.
Em paralelo aos fármacos, o governo federal iniciou um programa de rastreamento de câncer colorretal com a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais para identificar pessoas entre 50 e 75 anos que necessitam de colonoscopia. O método também passa a abranger o colo do útero por meio de testes de DNA-HPV e citologia reflexa. O custeio de cirurgias videotorácicas minimamente invasivas para câncer de pulmão foi incorporado, reduzindo o tempo de internação e as complicações operatórias.
Durante o evento, foi assinado o compromisso trienal do Proadi-SUS no valor de R$ 4 bilhões, montante que equivale a um terço de tudo o que foi aplicado nos últimos 17 anos pelo programa. A iniciativa envolve instituições de referência como Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Moinhos de Vento, A.C. Camargo e Hcor na transferência de tecnologia e gestão.
Também foi anunciada a criação do primeiro hospital cem por cento inteligente do SUS, desenvolvido em parceria com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O projeto contempla unidades de terapia intensiva ultraconectadas com inteligência artificial para monitoramento remoto e a modernização de laboratórios, reduzindo o prazo de entrega de laudos biópsicos para 48 horas.












