O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde uma estratégia inédita de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis. Trata-se da DoxiPEP, uma profilaxia pós-exposição baseada em doxiciclina, um antibiótico que reduz drasticamente o risco de contaminação por clamídia e sífilis após relações sexuais sem proteção.
O método é simples: dois comprimidos do medicamento tomados logo após a relação sexual. A aprovação passou pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e marca a primeira forma de prevenção oral pós-exposição ofertada pela rede pública brasileira.
Foco em grupos vulneráveis
Numa primeira fase, o tratamento será disponibilizado para grupos com maior exposição ao risco: homens gays e bissexuais, outros homens que fazem sexo com homens e mulheres trans que tiveram alguma infecção sexualmente transmissível nos últimos 12 meses.
A decisão reflete um desafio real de saúde pública. A sífilis adquirida segue como um problema crítico tanto no Brasil quanto internacionalmente, e a doxiciclina oferece uma camada adicional de proteção para populações historicamente mais atingidas.
Expansão futura em estudo
O Ministério já está apoiando pesquisas nacionais para avaliar o uso do medicamento em mulheres cis e homens trans. Esse movimento indica intenção de ampliar o acesso, ainda que de forma gradual e baseada em evidências científicas.
A implementação do novo protocolo depende ainda de trâmites administrativos entre União, estados e municípios, incluindo a definição de como será financiado nas diferentes esferas. Essa pactuação ocorrerá na Comissão Intergestores Tripartite, um fórum que reúne gestores das três instâncias.











