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Home Brasil & Mundo Educação

Superdotados Invisíveis: Senado debate por que o Brasil desperdiça seus maiores talentos

Criança de 6 anos com altas habilidades, diagnosticada aos 2, foi ao Senado representar superdotados do país e alertar que "nosso cérebro pensa rápido demais"

Redação I Correio Espirito Santo Por Redação I Correio Espirito Santo
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Em Educação, Política
Reading Time: 3 mins read
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Davi Milhomem Giordani, um menino de 6 anos foi ao Senado pedir que crianças como ele sejam levadas a sério. © Saulo Cruz/Agência Senado

Davi Milhomem Giordani © Saulo Cruz/Agência Senado

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Um menino de 6 anos foi ao Senado Federal nesta segunda-feira, 23, para pedir que crianças como ele sejam levadas a sério. Davi Milhomem Giordani começou a ler aos dois anos, tem mais de 3,6 milhões de seguidores num canal sobre curiosidades do corpo humano e foi diagnosticado com altas habilidades. Sua fala foi curta e direta: “Ter essa condição é um misto de emoções, já que nosso cérebro pensa rápido demais e quer assimilar tudo de uma vez. Estou aqui em nome de todos os superdotados do país, para lembrar a todos sobre a necessidade de esse assunto ser levado a sério.”

A presença de Davi resumiu bem o que motivou a audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e pela Comissão de Educação do Senado: o Brasil tem crianças com talentos extraordinários espalhadas por todo o território — inclusive nas periferias, no campo, no interior — e não sabe identificá-las, não sabe como atendê-las e, muitas vezes, nem percebe que elas existem.

O dado mais impactante do debate veio do Censo Escolar da Educação Básica de 2024, citado pela senadora Damares Alves, presidente da CDH e autora do requerimento que convocou a audiência: em mais de 2.800 municípios brasileiros não há qualquer registro de estudantes superdotados frequentando a rede básica de ensino. Esse número não significa que esses municípios não têm crianças com altas habilidades. Significa que o sistema não as enxerga — e essa cegueira tem consequências graves.

Pessoas com altas habilidades ou superdotação apresentam desempenho significativamente acima da média em uma ou mais áreas — intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade ou artes — quando comparadas a estudantes da mesma faixa etária. Mas o que muita gente não sabe é que esses alunos frequentemente chegam às escolas rotulados de outra forma: difíceis, hiperativos, arrogantes, desinteressados. Angela Virgolim, representante do Instituto Virgolim para Altas Habilidades, foi direta ao nomear esse problema. A classificação errada não é acidente — é consequência da falta de formação dos profissionais que os atendem.

A solução, segundo Angela, não está em simplesmente adiantar séries ou aumentar a carga de conteúdo. Está na formação adequada de gestores e educadores, no preparo das famílias e no reconhecimento de que esses estudantes aprendem de forma diferente. E ela foi enfática num ponto que precisa ser repetido: “O talento não escolhe o CEP e pode aparecer em qualquer território, em qualquer cor de pele ou em qualquer cultura.” Superdotação não é assunto de escola particular ou família de renda alta. É uma realidade que pode estar sentada em qualquer carteira — inclusive nas escolas do interior do Espírito Santo.

Denise Fleith, pesquisadora do Instituto de Psicologia da UnB e autora do livro Crianças Superdotadas, reconheceu avanços do Brasil na área — o país é o que mais avançou na educação de superdotados na América do Sul — mas apontou lacunas importantes: a formação dos professores que estão em sala regular, o apoio estruturado às famílias e o aporte de recursos financeiros adequados às políticas existentes.

Damares foi além e conectou o tema à economia: a falta de identificação e atendimento adequado aos superdotados gera perda de capital humano, redução do potencial inovador e desperdício de capacidades estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. “Investir em políticas públicas para altas habilidades e superdotação não é privilégio, mas uma medida de racionalidade econômica e justiça social”, disse a senadora.

O pai de Davi, José Osvaldo Giordani, colocou o dedo na ferida do cotidiano: o momento da matrícula escolar, onde pais de crianças superdotadas enfrentam instituições, professores e gestores que simplesmente não sabem o que fazer com essas crianças. A audiência reuniu mais de 600 participações de internautas pelo portal e-Cidadania, e uma nova sessão está prevista para quinta-feira, 26, com mais especialistas. O debate começou — mas ainda está longe de terminar.

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