São Paulo (SP) – A Avenida Paulista tornou-se palco de uma manifestação de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva logo após a confirmação de sua reeleição. Durante a festa da vitória, o presidente eleito recorreu a um gesto simbólico ao solicitar que o público entoasse o Hino da Independência do Brasil. O momento serviu para reforçar uma mensagem de soberania, que ele já havia antecipado em coletiva de imprensa poucas horas antes, quando criticou o que classificou como intromissão estrangeira e tentativas de manipulação do resultado eleitoral por parte de plataformas digitais.
Dirigindo-se à multidão, Lula afirmou que a vitória pertence a cada cidadão presente e justificou o pedido pela execução do hino como uma declaração de autonomia política. Para o mandatário, o país não deve se submeter a interesses externos, um recado direto que marcou o tom de seu discurso. Em relação aos próximos anos, o presidente destacou que o quarto mandato será estruturado sobre a participação direta da população na administração pública, fundamentado em uma lição que, segundo ele, foi aprendida durante a campanha de segundo turno: a necessidade de ouvir a sociedade antes de tomar decisões cruciais.
O discurso também reservou espaço para uma reflexão sobre sua trajetória pessoal. O presidente relembrou o impacto histórico de sua primeira eleição, caracterizando a chegada de um metalúrgico sem diploma universitário ao cargo máximo do Executivo como um divisor de águas para o Brasil. Segundo sua visão, o eleitorado demonstrou confiança na capacidade de um operário para superar o legado das elites que conduziram o país nos últimos cinco séculos.
Um dos pontos centrais da fala foi o agradecimento ao deputado federal André Janones. O parlamentar foi citado como peça-chave na articulação de uma estratégia digital intensa, que incluiu a criação e a coordenação de canais de mobilização como o chamado Exército do Lula. O presidente pediu que esse grupo não se disperse agora que o processo eleitoral foi concluído, reforçando que a vitória representou apenas a primeira etapa de um movimento que precisa manter sua coesão.
O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, também marcou presença e aproveitou o momento para enumerar números expressivos da disputa. Alckmin ressaltou que a marca de 64 milhões de votos, somada à menor taxa de abstenção registrada nos últimos 20 anos, confere legitimidade ao resultado das urnas. Em uma análise sobre a trajetória do companheiro de chapa, o vice afirmou que o presidente eleito foi responsável por salvar a democracia brasileira em duas ocasiões distintas, encerrando a participação na capital paulista com ênfase no crescimento de 27,5% da votação de Lula em São Paulo entre os dois turnos.








