Miami, Estados Unidos – O sorriso de Carlo Ancelotti na entrevista coletiva desta quarta-feira (24), em Miami, revelou mais do que apenas a satisfação pela vitória de 3 a 0 sobre a Escócia. Embora mantenha o semblante sisudo que lhe é habitual, o técnico da seleção brasileira não escondeu o alívio após garantir a vaga nos 16 avos de final e a liderança isolada do Grupo C. A resposta para o entusiasmo do torcedor, no entanto, veio com um pedido de moderação: “Calma! Muita calma!”.
O desempenho diante dos escoceses foi, para o italiano, o mais consistente sob sua gestão. A comparação com o empate em 1 a 1 contra o Marrocos, na estreia em Nova Jersey, evidencia um salto de qualidade. Menos falhas defensivas, uma transição mais veloz e, acima de tudo, o cinismo necessário na cara do gol. Ainda assim, Ancelotti mantém os pés no chão. Ele sabe que a dinâmica do mata-mata exige uma resiliência que o time ainda precisa provar.
Protagonismo em campo
O nome de Vinícius Júnior dominou a pauta. Autor de dois gols na partida, o camisa 7 chegou a quatro tentos no Mundial, participando ativamente de seis dos sete gols marcados pela equipe até aqui. Ancelotti, raramente dado a elogios individuais efusivos, não se segurou: “Não sou eu que descobri o Vini. Ele é top. Um dos melhores do mundo”. O treinador destacou a versatilidade tática do atacante, que agora transita entre a ponta e o corredor central, gerando dores de cabeça para qualquer sistema defensivo.
Outra grata surpresa foi Rayan. Escalado para suprir a ausência de Raphinha — que se recupera de uma lesão no posterior da coxa direita —, o atacante do Bournemouth justificou a aposta. Foi de seus pés, após roubar a bola de Scott McKenna, que nasceu o primeiro gol. Para Ancelotti, a atuação de Rayan foi completa e a tendência é que o jovem permaneça no time titular.
Olho no próximo compromisso
Agora, a contagem regressiva para a próxima fase já começou. O adversário do Brasil, o segundo colocado do Grupo F, será revelado nesta quinta-feira (25), após o fechamento da chave que envolve Japão, Holanda, Suécia e a eliminada Tunísia. Independentemente de quem venha, o desafio está marcado para a próxima segunda-feira (29), às 14h, em Houston.
O italiano observa as possibilidades com atenção. Reconhece a experiência holandesa, o futebol técnico japonês e a potência física sueca, mas evita escolher caminhos. O mantra agora é simples: coração forte e foco total na preparação, porque a fase de grupos, na visão de Ancelotti, foi apenas o primeiro passo de uma caminhada que ele quer ver serena, mas decisiva.





