São Paulo (SP) – O mercado financeiro buscou uma nova zona de acomodação nesta terça-feira (27), tentando digerir o impacto da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o pregão de segunda-feira ser marcado por uma volatilidade extrema, os investidores operaram com maior cautela. O dólar à vista encerrou o dia em queda de 1,07%, cotado a R$ 5,349, enquanto o Ibovespa seguiu pressionado, registrando baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos.
A calmaria no câmbio veio após a disparada da véspera, quando a moeda estadunidense registrou seu maior salto diário desde janeiro de 1999. Durante a manhã, o recuo foi mais acentuado, com a divisa atingindo a mínima de R$ 5,316 por volta das 10h45. Mesmo com a correção pontual, o ano de 2026 mantém um balanço negativo para a moeda, com queda acumulada de 2,55%. O movimento doméstico destoa do cenário global, onde o índice DXY — que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas — apresentava alta de 0,35% no final da tarde.
O foco dos operadores permanece na montagem do próximo ministério. A ausência de um nome definido para a Fazenda amplifica a insegurança sobre os rumos da política fiscal. Tentando conter as especulações, o atual ministro Dario Durigan reiterou hoje o compromisso do governo em buscar o centro da meta fiscal, sinalizando que o tema será alvo de negociações intensas com o Congresso Nacional. Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que a autoridade monetária não hesitará em intervir no câmbio caso identifique episódios de disfuncionalidade no mercado.
No segmento acionário, o pessimismo persistiu. O Ibovespa, que havia sofrido uma queda expressiva de quase 14% na segunda-feira, não conseguiu encontrar forças para um repique. O cenário externo também não colaborou, com o petróleo tipo Brent recuando 1,20% e fechando a US$ 109,41 o barril. O desempenho negativo da commodity pesou diretamente sobre os papéis da Petrobras, que recuaram 2%, puxando o índice principal da bolsa para baixo.
Com esse novo resultado, o Ibovespa estaciona em patamares que não eram vistos desde agosto. A sensação entre os agentes financeiros é de espera. O mercado agora se organiza para ajustar suas carteiras diante das novas perspectivas macroeconômicas. A prioridade, segundo analistas, é entender a coesão entre as propostas fiscais da nova administração e a viabilidade política para sua aprovação, um desafio que segue definindo o ritmo dos negócios na B3.












