Brasília (DF) – O cenário político brasileiro registrou uma marca inédita no último domingo, dia 25. Ao encerrar a apuração do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, contabilizou 64.256.232 votos. O número não apenas garante sua continuidade no Palácio do Planalto, mas estabelece o maior volume de votos nominais já recebido por um presidenciável desde a redemocratização do país.
O desempenho supera o recorde anterior, que também pertencia ao petista. Em 2022, ao derrotar Jair Bolsonaro, ele alcançou 60.345.999 votos. A série histórica, iniciada em 1989 com o primeiro pleito direto após o regime militar, mostra que a disputa pelo voto popular tem se intensificado na última década, impulsionada em parte pela expansão constante do colégio eleitoral.
Para entender a dimensão dessa mudança, basta observar o crescimento das urnas. Se em 1989 o Brasil contava com cerca de 82 milhões de eleitores, esse contingente saltou para mais de 158 milhões em 2026. Esse alargamento da base eleitoral explica por que, apesar de o número absoluto de votos ter crescido, o percentual de preferência não acompanhou a mesma trajetória ascendente.
Em termos de votos válidos, a vitória atual de 51,79% fica distante da performance de 2002, quando o mesmo Lula, em sua primeira eleição, atingiu 61,27% ao superar José Serra. A marca de 2002 permanece como o recorde de percentual de votos conquistado por um vencedor. O pódio dos maiores índices é completado por 2006 (60,83%), também sob o comando do petista, seguido pela vitória de Dilma Rousseff em 2010 (56,05%).
A análise dos dez pleitos realizados desde 1989 revela um padrão claro: a maioria das decisões foi transferida para o segundo turno. As únicas exceções, onde a disputa se resolveu logo na primeira rodada, ocorreram em 1994 e 1998, ambas com a vitória de Fernando Henrique Cardoso. Com a conclusão deste processo eleitoral, o olhar do país se volta agora para o início do próximo mandato presidencial, agendado para o dia 5 de janeiro de 2027.












