Brasília (DF) – O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro atingiu um novo patamar de capilaridade ao romper a barreira de 1 bilhão de chaves ativas em setembro. Registros oficiais indicam que, ao final do nono mês do ano, o ecossistema contabilizava 1,008 bilhão de chaves, um avanço notável frente aos 998 milhões identificados em agosto. Desde o encerramento de 2025, quando o país contava com 920 milhões de registros, o crescimento acumulado já chega a aproximadamente 80 milhões de novas vinculações.
É fundamental pontuar que esse volume bilionário não reflete o número absoluto de usuários do sistema. Como cada cliente possui a autonomia para vincular múltiplos identificadores à mesma conta, o universo de usuários, entre pessoas físicas e jurídicas, gira em torno de 170 milhões de clientes. Na prática, isso resulta em uma média de seis chaves por usuário. Entre o total de cadastros, 956,7 milhões estão atrelados ao CPF de indivíduos, enquanto 51,2 milhões estão vinculados ao CNPJ de empresas.
A preferência dos brasileiros pela privacidade moldou o perfil desses registros. Mais da metade do volume total, cerca de 526,8 milhões de chaves, corresponde ao formato aleatório — aquele conjunto de letras e números que dispensa o fornecimento de dados sensíveis, como o CPF, o telefone ou o e-mail, durante uma transação. Na sequência, aparecem os números de celular, com 166,3 milhões de registros, seguidos pelo CPF, com 153,9 milhões, e pelos endereços de e-mail, que somam 144,6 milhões de chaves.
Para o funcionamento operacional, as regras permitem que pessoas físicas registrem até cinco chaves por conta, enquanto o limite para empresas chega a 20. Embora seja uma ferramenta de facilitação, a chave não é um item obrigatório: transferências seguem viáveis pelo uso de dados bancários tradicionais ou códigos QR. Todo o gerenciamento é feito diretamente pelo ambiente digital das instituições financeiras, onde cada chave permanece estritamente vinculada a uma única conta.
O crescimento acelerado do número de chaves caminha lado a lado com a intensa rotina de uso da plataforma. Apenas em setembro, o Sistema de Pagamentos Instantâneos processou 7,1 bilhões de transações, movimentando um montante de R$ 3,2 trilhões. Cabe ressaltar que esse volume contempla apenas as operações processadas pelo Banco Central; transações realizadas internamente entre contas de uma mesma instituição ocorrem fora desse fluxo de liquidação centralizada.
Ainda que o sistema ofereça opções de segurança como a chave aleatória, que protege a identidade do recebedor, a cautela continua sendo uma recomendação técnica. O usuário deve sempre validar os dados do destinatário antes da confirmação final. Visando reforçar a integridade do sistema contra fraudes, o Banco Central mantém em análise medidas para impedir a criação de chaves não autorizadas, uma iniciativa que busca mitigar riscos enquanto a ferramenta segue como pilar central das transações cotidianas.











