Brasília (DF) – As taxas de juros continuam sendo a maior barreira para o setor industrial brasileiro no momento de buscar financiamento, conforme revela a Sondagem Especial 107. O levantamento, realizado com 1.701 empresas entre 3 e 12 de agosto, aponta que 76% dos empresários que tentaram crédito de curto ou médio prazo esbarraram no custo elevado do dinheiro. Para operações de longo prazo, com vencimento acima de cinco anos, o impacto dos juros foi relatado por 69% dos consultados.
Embora as taxas ocupem o topo do ranking de dificuldades, houve um alívio discreto comparado aos números de 2025, quando 80% e 71% dos industriais, respectivamente, apontavam os juros como o principal obstáculo. O mercado ainda sente os efeitos defasados da política monetária, o que impede que o barateamento do crédito chegue com a celeridade esperada à ponta, afetando o fluxo de caixa das companhias que operam com margens apertadas.
Além do custo financeiro, a estrutura do mercado de crédito impõe outros desafios. Nas negociações de curto e médio prazo, as exigências por garantias reais foram citadas por 33,4% das empresas, seguidas pela burocracia, mencionada por 13,6%. Já no longo prazo, o cenário muda ligeiramente: após as garantias, que atingiram 31,5%, a principal queixa dos gestores recai sobre a carência insuficiente oferecida pelas instituições financeiras, um entrave para 18,9% das indústrias.
A pesquisa detalha um comportamento cauteloso: metade das empresas nem sequer tentou captar recursos no período. Quando o movimento é realizado, a taxa de insucesso cresce. No segmento de longo prazo, 37,2% dos pedidos fracassaram, um salto em relação aos 33% registrados no ano anterior. O desequilíbrio é evidente pelo porte dos negócios, com as pequenas indústrias sofrendo o maior impacto: quase metade delas, cerca de 48,2%, não obteve êxito nas solicitações para investimentos de fôlego.
Chama a atenção a destinação dos recursos. Uma parcela significativa das empresas tem utilizado linhas de longo prazo, teoricamente voltadas para expansão e modernização, para cobrir despesas básicas de sobrevivência. Entre os que conseguiram contratar esse tipo de crédito, 28,7% destinaram o capital para suprir o giro diário, superando os investimentos em máquinas e equipamentos, que ficaram em 23,6%. Essa inversão de prioridades sinaliza o quanto o setor tem usado o endividamento estruturado para lidar com o cotidiano operacional.
Ao projetar soluções, o empresariado brasileiro é pragmático sobre o que facilitaria a operação. A redução dos custos administrativos e tributários encabeça a lista de sugestões para 38,4% dos entrevistados no curto prazo. Outras alternativas apontadas como necessárias são a ampliação das linhas de financiamento público e uma simplificação rigorosa das exigências documentais e burocráticas impostas pelos bancos, medidas vistas como fundamentais para dar fôlego a um setor que tenta equilibrar o custo operacional elevado com a escassez de crédito disponível.











