Nova York, Estados Unidos – O encerramento de seis dias consecutivos de sessões diplomáticas em Nova York revelou um consenso contundente entre as nações representadas nas Nações Unidas. Após a passagem de 194 oradores pela tribuna, o diagnóstico é claro: a busca pela paz superou qualquer outro tema na pauta da comunidade internacional como o requisito mais urgente e necessário para a estabilidade global.
Ao encerrar os trabalhos nesta segunda-feira, o presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, deu voz a um sentimento coletivo de apreensão. Ele sublinhou o agravamento do sofrimento humano que atravessa diversas regiões, com foco especial nas crises humanitárias em Gaza. O cenário de conflitos prolongados que afetam a Ucrânia, o Sudão, Mianmar e o Oriente Médio compõe um quadro de instabilidade que exige respostas imediatas e coordenadas das potências globais.
Além da crise de segurança, o balanço feito por Rahman trouxe um alerta sobre os prazos estabelecidos para o progresso social. O compromisso assumido pelos Estados-membros em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável caminha em ritmo insuficiente, deixando claro que, no estágio atual, apenas uma fração das metas desenhadas para 2030 será efetivamente concretizada, o que pressiona os governos a revisarem suas estratégias internas.
Uma mudança significativa no foco das delegações foi observada em relação à tecnologia. O debate sobre Inteligência Artificial saltou da obscuridade para o centro das atenções. Enquanto há quatro anos apenas cinco nações mencionaram a questão em suas falas, desta vez, 128 delegações abordaram o tema, superando em volume as discussões sobre direitos humanos e mudanças climáticas. Ao comentar esse salto, Rahman ecoou o alerta do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, ao reforçar que nenhuma estrutura tecnológica ou máquina possui a legitimidade democrática necessária para substituir a vontade soberana dos povos.
A estrutura do sistema multilateral também foi alvo de críticas contundentes durante a semana. Rahman classificou como uma injustiça histórica a exclusão do continente africano do quadro de membros permanentes do Conselho de Segurança. O posicionamento coloca em evidência a necessidade de reformas estruturais para que a composição dos órgãos decisórios da ONU reflita melhor a geopolítica contemporânea.
Apesar do término da semana de alto nível, a agenda de trabalho segue intensa. Entre outubro e dezembro, os 193 países que compõem a organização estarão mobilizados em seis Comissões Principais para desdobrar as discussões iniciadas nos debates plenários. Paralelamente, o cronograma administrativo da ONU já se volta para a sucessão na secretaria-geral. Após a recomendação do Conselho de Segurança, a Assembleia prepara-se para oficializar o nome que ocupará o cargo a partir de 1º de janeiro de 2027, sucedendo António Guterres no comando da organização.









