Brasília (DF) – O mercado de trabalho brasileiro encerrou o trimestre findo em julho com uma marca inédita. A taxa de desocupação recuou para 5,3%, o menor patamar já registrado para esse período de três meses desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que começou a ser contabilizada em 2012.
O indicador apresenta uma trajetória de queda consistente ao comparar os recortes temporais anteriores. No trimestre finalizado em abril, o desemprego estava em 5,8%, enquanto no mesmo intervalo de 2023 o índice havia atingido 5,6%. As informações foram oficializadas nesta quinta-feira (27).
O volume de brasileiros ocupados alcançou a marca histórica de 103,3 milhões de pessoas. Dentro desse contingente, o número de trabalhadores com carteira assinada — excluindo o segmento doméstico — chegou a 39,4 milhões, o maior volume já catalogado pelo levantamento. Em contrapartida, houve um avanço na informalidade, que atingiu 37,5% da população ocupada, ante 37,2% registrados até abril.
A categoria de trabalhadores sem carteira assinada somou 13,8 milhões de pessoas, um acréscimo de 3,6%, ou 477 mil indivíduos, na comparação com o trimestre encerrado em abril. A Pnad caracteriza como informais os profissionais sem registro, além de autônomos e empregadores que atuam sem CNPJ, um grupo que permanece desprovido de benefícios como 13º salário, férias remuneradas e seguro-desemprego.
Houve uma redução significativa no total de desocupados, que caiu para 5,8 milhões — uma diminuição de 8%, ou 503 mil pessoas a menos em relação ao trimestre de fevereiro a abril. Paralelamente, o grupo de pessoas desalentadas, definido por quem desistiu de buscar uma colocação por acreditar que não encontraria vaga, registrou queda de 9,7%, totalizando 2,3 milhões de indivíduos.
Quanto à remuneração, o rendimento médio do trabalhador foi fixado em R$ 3.762. Embora o número represente um recuo nominal de 0,7% frente ao período anterior, o levantamento classifica essa oscilação como uma margem de estabilidade.
A metodologia da Pnad abrange cidadãos a partir de 14 anos e considera todas as modalidades de ocupação, incluindo o trabalho autônomo, temporário ou sem formalização. Para fins estatísticos, apenas quem buscou ativamente por uma oportunidade nos últimos 30 dias é considerado desocupado. O estudo possui abrangência nacional, com visitas presenciais a 211 mil domicílios em todas as unidades da federação.
Para contextualizar o cenário atual, os dados mostram que a menor taxa de desocupação já observada no Brasil desde 2012 foi de 5,1%, atingida no último trimestre de 2025. No polo oposto, o pico histórico de desemprego ocorreu durante os meses mais críticos da pandemia de covid-19, quando o índice atingiu 14,9% nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e março de 2021.












