São Paulo (SP) – Embora a presença da febre do Nilo Ocidental no território brasileiro desperte curiosidade e cautela, especialistas descartam qualquer necessidade de pânico generalizado. O vírus, historicamente identificado na África há nove décadas, circula de forma tímida no Brasil. De acordo com o infectologista Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da USP, a ampla maioria dos pacientes apresenta sintomas moderados, sendo que a evolução para quadros graves ocorre em uma parcela mínima, inferior a 1% dos infectados.
O vírus pertence à mesma família de arboviroses já conhecidas pela população, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A dinâmica de transmissão é protagonizada pelo mosquito do gênero Culex — o popular pernilongo ou muriçoca. O inseto atua como vetor ao picar aves que carregam o patógeno e, posteriormente, transmitir o agente infeccioso ao ser humano. Vale ressaltar que o simples contato com aves não configura risco direto de infecção.
A manifestação clínica é silenciosa em muitos pacientes. Estima-se que apenas 20% das pessoas infectadas desenvolvam sintomas, que frequentemente se confundem com outras viroses tropicais. O quadro pode incluir febre, dores de cabeça, musculares e oculares, mal-estar generalizado, náuseas, vômitos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos. Em situações mais raras e preocupantes, o vírus pode comprometer o sistema nervoso, evoluindo para encefalite ou meningite, exigindo internação hospitalar e suporte intensivo.
Atualmente, a medicina não dispõe de vacinas ou antivirais específicos para combater esta infecção. O tratamento baseia-se exclusivamente no suporte ao paciente, focando em hidratação, repouso e manejo dos sintomas conforme a severidade de cada caso. A ausência de imunizantes é atribuída à baixa incidência da doença em escala global, o que diferencia este cenário das arboviroses endêmicas que demandam atenção pública constante.
O estado de São Paulo registrou recentemente os seus primeiros casos confirmados em humanos. Uma mulher de 34 anos, residente em Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, foram diagnosticadas. A primeira paciente, que apresentou histórico de viagem à região amazônica, já se recuperou. Já a jovem segue sob supervisão médica. Autoridades sanitárias da Secretaria de Estado da Saúde reforçam que o trabalho de investigação segue em curso para mapear os locais prováveis de transmissão.
O panorama nacional ainda aponta para dois casos confirmados em Santa Catarina — com um registro de óbito — e uma notificação provável no Piauí. O Ministério da Saúde mantém o monitoramento constante das áreas de risco, com foco especial na observação de aves, visto que o aumento atípico de mortalidade nesta população animal serve como um importante indicador sentinela para a circulação do vírus no ambiente.












