Washington, Estados Unidos – O governo do Irã manifestou disposição em enfrentar a nova rodada de sanções imposta pelos Estados Unidos, que busca ampliar o isolamento econômico do país. A estratégia iraniana aposta na crença de que seus principais parceiros comerciais não cederão às pressões de Washington, interpretando o movimento da Casa Branca não apenas como punição, mas como um sinal latente de que a administração americana deseja retomar as negociações diplomáticas paralisadas há meses.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, apresentou as novas medidas na segunda-feira, dia 24 de fevereiro. Embora tenha atingido 60 indivíduos, entidades e navios, o pacote evitou sanções extremas. Bessent sinalizou a possibilidade de excluir do sistema financeiro baseado no dólar os países que persistirem em transações com o Irã, porém concedeu um período de transição para que essas nações se adequem às novas diretrizes, sem detalhar alvos específicos ou prazos rígidos.
A tensão tem como pano de fundo a complexa relação com a China, principal compradora de petróleo iraniano. Apesar das advertências, o Departamento do Tesouro optou por não sancionar instituições financeiras chinesas. Analistas apontam que a cautela de Washington visa evitar retaliações de Pequim, especialmente antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para o próximo mês. A China, por sua vez, reiterou nesta terça-feira que sua parceria com Teerã segue o direito internacional e não admite interferências.
Nos bastidores, o Paquistão tem exercido um papel de mediador. O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, entregou pessoalmente uma mensagem oficial dos Estados Unidos às autoridades iranianas. Segundo Abbas Golroo, chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento do Irã, o foco dessa comunicação seria o reinício do processo político que visa estabilizar a região. O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, classificou as conversas recentes como construtivas, destacando avanços na tentativa de impedir uma escalada militar e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz.
O cenário, contudo, permanece volátil. Um petroleiro foi atingido por um projétil de origem desconhecida a cerca de 17 quilômetros a nordeste de Ash Shishah, em Omã, nas proximidades da entrada do Estreito. O incidente reforçou a apreensão no mercado, apesar de os preços do petróleo registrarem queda pelo segundo dia consecutivo, com operadores aparentemente ignorando o impacto imediato das novas sanções.
O contexto atual é de incerteza profunda, com as partes tentando equilibrar ameaças e diplomacia. Desde o fracasso do acordo provisório assinado em junho — desenhado para encerrar o conflito iniciado em fevereiro por ataques dos Estados Unidos e de Israel —, o Irã manteve uma postura assertiva. Teerã já havia sinalizado que qualquer cerco econômico poderia resultar em respostas militares ou em cortes ainda mais severos nas exportações de energia através do Golfo, transformando a região em um ponto de atenção crítica para a segurança global.










