Venda Nova do Imigrante (ES) – O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira que o país superou, pela primeira vez na história, a marca de US$ 40 trilhões em dívida pública. O balanço diário divulgado pelo órgão apontou que o montante total em circulação atingiu US$ 40,047 trilhões até a última terça-feira. Desse volume, US$ 32,266 trilhões referem-se a títulos mantidos pelo público, enquanto US$ 7,782 trilhões compõem a dívida interna do próprio governo.
O cenário reflete uma trajetória de expansão acelerada, com o endividamento dobrando em menos de dez anos. Quando Donald Trump assumiu a presidência pela primeira vez, em janeiro de 2017, a dívida somava US$ 19,95 trilhões. Especialistas em orçamento apontam que cerca de um terço dessa escalada ocorreu durante o período da pandemia, impulsionado por pacotes emergenciais, mas ressaltam que as decisões fiscais e o descompasso crônico entre receitas e despesas sob as administrações de Trump e Joe Biden foram decisivos para o agravamento do quadro.
A velocidade desse crescimento preocupa analistas. O país levou até 1981 para registrar seu primeiro trilhão em dívidas, mas, agora, o salto de US$ 39 trilhões para a marca atual de US$ 40 trilhões ocorreu em menos de cinco meses. Para Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, esse desequilíbrio não é apenas um registro contábil, mas um fator que pressiona a inflação e retira margem de manobra para o governo lidar com emergências externas ou internas.
A reação dos mercados já indica cautela por parte dos credores. Na terça-feira, os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo alcançaram os patamares mais elevados em quase duas décadas. Em resposta, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a duplicação do volume de recompra de títulos de 10 a 30 anos para tentar conter a volatilidade. O movimento ocorre em um momento em que investidores estrangeiros, que detêm quase um terço dos títulos americanos, têm demonstrado menor apetite pelo papel da dívida ao longo do último ano.
A estrutura do gasto federal é o ponto central do impasse fiscal. Atualmente, os EUA desembolsam cerca de US$ 7 trilhões anualmente, com 60% desse valor destinado a programas obrigatórios, como a Previdência Social, o Medicare e o auxílio a veteranos. O peso dos juros sobre a dívida, que agora custa US$ 1,1 trilhão por ano, superou os gastos do Pentágono no orçamento de 2025. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, as despesas com juros ultrapassaram até mesmo os desembolsos com o Medicare, tornando-se o segundo maior item do orçamento federal.
A disparidade entre o aumento das despesas com a população idosa e a insuficiência das receitas tributárias coloca em xeque a sustentabilidade do modelo atual. Embora o segundo mandato de Trump mencione uma agenda de cortes de gastos, as reduções têm se concentrado em áreas discricionárias, que representam apenas uma fatia minoritária do orçamento. Enquanto isso, o déficit nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026 já superou o total acumulado em todo o ano fiscal de 2025, evidenciando que o desafio fiscal do país permanece sem uma solução definitiva à vista.








