São Paulo (SP) – O mercado financeiro fechou esta sexta-feira (17) sob forte influência da geopolítica. Enquanto o dólar encerrou com valorização, atingindo R$ 5,111 — uma alta de 0,24% —, o Ibovespa interrompeu sua sequência de três semanas consecutivas de ganhos, recuando 0,06% para os 173.714,08 pontos. O cenário foi ditado pela crescente tensão entre Estados Unidos e Irã, além de um movimento global de cautela diante de incertezas envolvendo empresas do setor de tecnologia e inteligência artificial.
A cotação do dólar, que chegou a tocar a máxima de R$ 5,133 por volta das 10h30, refletiu a aversão ao risco predominante. A busca por ativos de maior liquidez e segurança favoreceu a moeda norte-americana frente às divisas de países emergentes. Apesar desse ambiente adverso, o real conseguiu exibir um desempenho resiliente em comparação aos seus pares. O motivo principal foi a disparada dos preços do petróleo, que favorece as perspectivas de exportação do Brasil, aliviando parte da pressão sobre o câmbio.
No setor de energia, o choque foi nítido. O barril do tipo Brent subiu 4,59%, encerrando a US$ 88,10, enquanto o WTI avançou 4,48%, cotado a US$ 82,49. O mercado reagiu ao temor de que o acirramento do conflito no Oriente Médio interrompa o fluxo de mercadorias pelo Estreito de Ormuz, uma das artérias vitais para a logística mundial de óleo cru. Na semana, as duas referências acumularam um salto próximo a 16%, acendendo um alerta sobre os reflexos inflacionários dessa escalada nos preços de energia ao redor do globo.
Na B3, o comportamento foi misto. Se por um lado a valorização do petróleo sustentou os papéis da Petrobras, impedindo uma queda mais expressiva, por outro, o índice sofreu com a pressão vendedora em setores sensíveis à economia doméstica. As ações de bancos recuaram em bloco, acompanhadas por quedas acentuadas nas empresas de varejo, construção civil e educação. O avanço dos juros futuros e a divulgação da desaceleração da atividade econômica brasileira, medida pelo IBC-Br de maio, contribuíram para esse tom negativo.
O desempenho dos ativos brasileiros também ocorreu à sombra das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos fabricados no Brasil. Embora esse tema tenha ficado em segundo plano frente à volatilidade externa, ele compõe o mosaico de dificuldades que o mercado local enfrenta. Globalmente, o humor dos investidores foi contaminado pelo recuo nas ações de fabricantes de chips e corporações voltadas à inteligência artificial, consolidando a migração de recursos para investimentos considerados menos arriscados em um dia marcado pela instabilidade.
No balanço acumulado do ano, o dólar ainda apresenta uma desvalorização de 6,88% frente ao real, mas o pregão de hoje deixa claro que a volatilidade externa, impulsionada pelo preço das commodities e pelo cenário de guerra, mantém o mercado em constante estado de prontidão.











