Praia, Cabo Verde – A menos de quatro horas de voo de Recife, o arquipélago de Cabo Verde divide com os brasileiros muito mais do que a proximidade geográfica ou o idioma oficial. Na última Copa do Mundo, a menor nação a alcançar a fase eliminatória do torneio ganhou o coração dos torcedores por aqui antes de se despedir diante da Argentina, nas oitavas de final. Essa trajetória inédita e as semelhanças culturais guiam o programa especial que vai ao ar nesta segunda-feira (13/07), às 23h.
O repórter André Vieira, o repórter cinematográfico Rogerio Verçoza e o auxiliar técnico Alexandre Sousa desembarcaram na capital, Praia, antes da estreia da seleção. Encontraram as ruas tomadas pelo clima de festa e pelo lema em crioulo “nos óra dja txiga” (a nossa hora chegou). O país, formado por dez ilhas, tem 500 mil habitantes, mas a população se espalha por uma diáspora de 1,5 milhão de emigrantes em locais como Estados Unidos, Portugal, França, Holanda e Luxemburgo. Essa imensa comunidade no exterior é descrita por Mario Semedo, presidente da federação local de futebol, como a “décima primeira ilha” do território, de onde vem metade dos atletas convocados.
“A maioria dos cabo-verdianos torce pelo Brasil na Copa. Desta vez, tivemos nossa própria equipe”, relata o presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, que celebrou a oportunidade de os brasileiros “redescobrirem” a nação parceira. O empate sem gols na estreia contra a Espanha transformou o goleiro Josimar José Évora Dias, o Vozinha, em herói nacional, embora ele mesmo precise tirar dinheiro do próprio bolso para suprir a escassez de material esportivo no país.
A jornada dos “Tubarões Azuis” seguiu em confrontos contra Uruguai, África do Sul e Argentina, culminando no retorno da delegação em 5 de julho, data em que o país comemora sua independência, conquistada em 1975. Para a cantora Mayra Andrade, a equipe deu uma aula de resiliência sob o comando do técnico Bubista. Esse orgulho é compartilhado por Zé-Di-Nhana, pioneiro da primeira seleção de 1978 e considerado o “Pelé” local, cria da comunidade da Várzea. É essa essência, traduzida na palavra “morabeza” — a hospitalidade típica —, que o programa convida o público a conhecer.
Ficha técnica da produção
A reportagem é de André Vieira, com produção de André Vieira e Cintia Vargas. A captação de imagens foi realizada por Rogerio Verçoza, com apoio técnico de Alexandre Souza. A edição de texto tem assinatura de Cintia Vargas e Flávia Lima, enquanto a edição e finalização de imagens ficaram a cargo de André Eustáquio e Marcio Stuckert. As artes foram criadas por Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia.








