Brasília (DF) – O cenário de segurança das barragens brasileiras acende um sinal de alerta com a identificação de 213 estruturas em condições críticas. O dado consta no Relatório de Segurança de Barragens 2026, que mapeia riscos capazes de impactar desde vidas humanas até infraestruturas vitais, como rodovias e pontes. O levantamento, conduzido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, monitora um universo amplo que abrange desde hidrelétricas até reservatórios voltados à irrigação e ao abastecimento público.
O ano de 2025 registrou 18 acidentes e 23 incidentes com estruturas em todo o território nacional. Embora não tenha havido óbitos, as ocorrências forçaram a evacuação de áreas urbanas e causaram prejuízos materiais consideráveis. A categoria de risco é atribuída, sobretudo, a falhas na conservação ou ao descumprimento das normas estabelecidas pela Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Mato Grosso, São Paulo e Ceará figuram entre os estados com maior concentração de estruturas prioritárias, sendo o setor de mineração o mais impactado, respondendo por 26% dessas situações.
Apesar do crescimento do cadastro nacional, que atingiu 29.761 unidades, a falta de dados persiste. Aproximadamente 14.355 barragens — quase metade do total — permanecem com situação indefinida. O entrave ocorre porque muitos dos 33 órgãos responsáveis pelo registro não forneceram informações essenciais para o enquadramento dessas estruturas nas exigências de segurança.
A gestão desse passivo esbarra, ainda, em uma carência preocupante de pessoal. Pela primeira vez desde o desastre em Brumadinho, em 2019, o número de profissionais envolvidos na fiscalização apresentou queda. Atualmente, apenas 333 pessoas atuam na tarefa, sendo que pouco menos da metade dedica-se exclusivamente à segurança das barragens. O déficit identificado aponta a necessidade de pelo menos 221 novos especialistas para suprir as equipes mínimas recomendadas em 28 das 33 instituições fiscalizadoras.
Houve, contudo, uma intensificação nas checagens documentais, que saltaram 49% entre 2024 e 2025, além de um crescimento tímido de 2% nas visitas presenciais de campo. O desafio agora se concentra em estruturar um sistema de cobrança e monitoramento que supere a desatualização dos dados e o esvaziamento das equipes, garantindo que o cumprimento da lei saia do papel antes que novos incidentes atinjam áreas habitadas.












