Na última sexta-feira, dia 03 deste mês de julho, a cultura da região do Caparaó viveu um de seus momentos mais sublimes. A convite do nobre presidente, ilustre amigo e confrade, José Salotto, tive a honra de representar a coluna deste portal, e como acadêmico das arcádias; Academia Ibatibense de Letras e Artes (AILA) e Academia de Letras e Artes de Venda Nova do Imigrante (ALAVENI), em uma belíssima solenidade na vizinha e acolhedora cidade de Iúna, no Espírito Santo. O evento celebrou a posse de novos membros na Academia Iunense de Letras (AIL), consolidando os laços culturais que unem as nossas cidades.
Mais do que um protocolo formal, a noite foi uma verdadeira festa do espírito e do intelecto. Entre os que tomaram posse e agora assumem suas cadeiras de “Imortal”, destaco com imensa alegria a minha querida amiga Maralins Lopes Rezende, uma artista multifacetada cuja sensibilidade agora engrandece ainda mais a instituição.
Estive muito bem acompanhado por uma comitiva de peso da nossa AILA: o nosso estimado presidente ilustre José Ribeiro Sobrinho, e os brilhantes escritores Genival Souza e Laudimar Galdino.
O evento foi um ponto de convergência de grandes nomes que dedicam suas vidas a impulsionar as artes no Espírito Santo. Tive o privilégio de dialogar com o escritor e vereador Leonardo Monjardim, que tomou posse como Membro Correspondente (assim como eu também tive a honra de ser diplomado correspondente da ALAVENI). Monjardim é um homem tranquilo, um ser humano do bem e um político que verdadeiramente entende e apoia a cultura por meio de leis e projetos fundamentais.
Também registramos a presença sempre marcante e lúdica do presidente da Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores (ACLAPTCTC) Clério José Borges, uma figura ilustre que respira e prestigia a arte por onde passa. Para coroar a noite, tive a imensa honra de conhecer o presidente da Academia Espírito-Santense de Letras (AEL), o ilustríssimo Jonas Reis, a pioneira do nosso Estado, sediada em Vitória, que com maestria orienta e abraça as nossas academias municipais.
Cabe aqui um agradecimento e um reconhecimento especial a todas as demais arcádias — as diversas Academias de Letras e Artes do nosso Estado — que prestigiaram o evento. Muitas enviaram suas brilhantes comitivas; outras, por motivos de força maior ou agendas sobrepostas, não puderam comparecer fisicamente, mas fizeram-se presentes em espírito e em votos de sucesso. Tive a grata satisfação de ser abordado por líderes e representantes de várias dessas instituições, momentos em que trocamos palavras de incentivo e alinhamos o desejo mútuo de fortalecer o cenário literário capixaba. Embora o calor do momento e a dinâmica do evento tenham me impedido de colher todos os contatos e nomes para registrá-los individualmente aqui, fica o meu profundo respeito e o abraço fraterno da AILA a cada uma dessas guardiãs da nossa identidade cultural.
Muitos olham para as Academias de Letras e imaginam eventos rígidos, cansativos ou distantes da realidade. Que grande equívoco. São momentos ilustres de pura comunicação, troca de saberes e emoção genuína.
Ali, compreendemos o real significado da “imortalidade” acadêmica. A imortalidade não reside na carne ou na pessoa do escritor, mas sim na perenidade da letra. O homem passa, mas a palavra escrita, a tela pintada e a arte esculpida permanecem viva através dos tempos.
No entanto, há uma distinção crucial a ser feita: não basta escrever um único livro e parar, ou pintar duas telas e se autodeclarar artista. A verdadeira arte exige entrega. Ser artista é um estado de espírito, é doação, é estar na batalha diária, no corre-corre da criação. O verdadeiro imortal é aquele que, além de criar, tem a generosidade de impulsionar a arte no coração de outras pessoas.
A prova de que a arte nos transforma ficou evidente na nossa viagem de volta para Ibatiba. Na ida, o trajeto parecia longo e o cansaço natural da rotina se fazia presente. Mas na volta… ah, a volta foi mágica.
Voltamos leves, alimentados por uma bagagem tão gostosa e tranquila. Alimentados pelo encontro, resgatados pelas memórias que nos trouxe o evento, a troca de impressões com os amigos revistos e as palavras animadoras que ouvimos.
O clima de inspiração foi tão intenso dentro daquele carro que começamos a contar casos, rir e “inventar moda”, rascunhando mentalmente novos poemas e vislumbrando as páginas de novos livros. A viagem passou tão rápido que os minutos pareceram segundos, como bem observou o nosso querido confrade Genival Souza ao descer do carro.
Fica aqui o meu agradecimento especial e profundo à Academia Iunense de Letras, ao presidente José Salotto e a todos os membros pelo carinho, respeito e receptividade. Saímos de lá convictos de que, enquanto houver união entre os que amam as letras e as artes, a nossa cultura regional permanecerá eternamente imortal.
Por fim, permitam-me uma reflexão pessoal. Eu, Vanderlei Messias de Barros, hoje ocupo a cadeira de um Imortal acadêmico, mas trago a plena consciência da minha mortalidade física. Um dia partirei, como todos nós, mas sei que o meu nome, meu legado e a minha essência já estão eternizados. Minha alma permanecerá viva através das minhas telas, das minhas pinturas, dos roteiros, dos podcast que idealizei, das músicas que compus e dos poemas que deixei soltos no ar. Embora minha jornada na literatura oficial seja relativamente recente — são apenas quatro anos como escritor —, o amor pelas letras me permitiu desabrochar. Hoje, conto orgulhosamente com dezenas de obras escritas e dez livros publicados, alcançando o selo de autor best-seller.
Minha história mudou completamente quando entrei para a Academia Ibatibense de Letras e Artes (AILA). Antes, eu me via apenas como um desenhista, um cronista dando os primeiros passos. Foi o convívio acadêmico, o abraço sincero e o incentivo generoso dos meus confrades e minhas confreiras que impulsionaram o meu coração a pulsar mais forte na arte de escrever.
Nasci e cresci aprendendo que, quando estamos cercados de amigos verdadeiros, não há espaço para a inveja; há apenas o desejo mútuo de ver o outro brilhar.
É com esse mesmo espírito que atuo ativamente como agente cultural no Estado do Espírito Santo e no meu amado município de Ibatiba. Seja nas escolas, em palestras ou onde quer que a arte me chame, estarei sempre presente, trabalhando lado a lado com a AILA para levar a nossa cultura a um patamar cada vez mais alto. A carne é passageira, mas a nossa dedicação à beleza e ao saber nos torna, verdadeiramente, imortais.
“Todo ser humano constante, busca seu caminho, um alvo, um amar, mas num breve instante apenas ‘Deus’ sabe onde vai chegar! ” (Vanderlei M Barros)













