Baixo Guandu (ES) – O custo de vida medido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,5% em junho. O dado, que interrompe uma trajetória de alta iniciada em março, marcou a primeira queda mensal desde fevereiro deste ano. No acumulado dos últimos doze meses, o indicador registra uma variação positiva de 3,16%, enquanto o primeiro semestre de 2025 contabiliza uma alta de 3,27%.
A retração surpreendeu analistas. Enquanto o mercado financeiro apostava em uma variação próxima à estabilidade — com projeção de 0,03% no boletim Focus mais recente —, o resultado final mostrou um alívio maior na pressão sobre os preços. Para especialistas, o movimento reflete um ajuste das cotações de commodities energéticas e minerais, que retornaram a patamares observados antes das turbulências causadas pelo conflito no Oriente Médio, registrado em março.
O alívio no bolso do consumidor tem raízes no campo e nas refinarias. A oferta agrícola abundante tem favorecido a queda nos valores da cana-de-açúcar e do café. Esse efeito chegou à ponta final, com reduções significativas nos preços da gasolina, do etanol e do café em pó. No setor atacadista, o impacto foi ainda mais evidente: o minério de ferro caiu 2,61%, enquanto o diesel recuou 6,18% e o café em grão despencou 9,69%.
Para entender o peso desse índice no dia a dia, é preciso olhar suas entranhas. O IGP-M é composto por três frentes distintas. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que detém o maior peso (60%), registrou queda de 0,97%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%, subiu 0,47%, mas em um ritmo menos acelerado que os 0,61% observados em maio. Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,85% no período.
A importância do IGP-M transcende os gráficos financeiros. Conhecido popularmente como a inflação do aluguel, ele serve como parâmetro para o reajuste anual da maioria dos contratos imobiliários no país. Além disso, o indicador baliza tarifas públicas, como os serviços de energia elétrica e telefonia. A coleta de dados deste mês compreendeu o intervalo entre 21 de maio e 20 de junho, abrangendo sete capitais brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
O comportamento do índice ao longo do ano revela a volatilidade recente da economia: após cair 0,73% em fevereiro, o indicador subiu 0,42% em janeiro e 0,52% em março. O pico de tensão ocorreu em abril, quando o IGP-M disparou 2,73% sob os reflexos diretos da instabilidade geopolítica internacional, antes de desacelerar para 0,84% em maio e, finalmente, atingir o campo negativo em junho.













