Brejetuba (ES) – A busca por sobreviventes entre os escombros
O rastro de destruição deixado pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela na última quarta-feira (24) mobiliza uma complexa e exaustiva operação de resgate no país vizinho ao Brasil. Sob a urgência de localizar sobreviventes em meio às ruínas de concreto, cerca de 25 mil socorristas trabalham sem descanso dia e noite. O desafio das equipes ganha contornos ainda mais dramáticos à medida que o tempo passa: segundo estimativas oficiais das Nações Unidas (ONU), quase 50 mil pessoas continuam desaparecidas após os violentos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, que castigaram com força a capital, Caracas, e diversas outras cidades do país, com destaque para a província litorânea de La Guaira.
Balanço de vítimas e ajuda brasileira
Até a mais recente atualização de dados apresentada pelo governo de Caracas, nesta segunda-feira (29), o balanço de mortos confirmados já chegava a 1,5 mil vítimas fatais, além de pelo menos 3.150 feridos que recebem atendimento médico. Na linha de frente das buscas e salvamentos, atuam cerca de 2,6 mil especialistas vindos de outros países, incluindo equipes de socorristas brasileiros experientes em tragédias humanitárias. O trabalho integrado dos profissionais já permitiu retirar 33 pessoas com vida debaixo das toneladas de escombros. Para dar suporte logístico e humanitário imediato à população afetada, o Brasil enviou quatro aviões oficiais carregados de mantimentos e suprimentos essenciais ao território venezuelano.
Balanço dos danos materiais
Os fortes abalos sísmicos afetaram severamente a infraestrutura urbana nacional e as redes de serviços básicos. Informações oficiais apresentadas pelo presidente do Congresso venezuelano, Jorge Rodríguez, apontam que 774 edifícios colapsaram de forma crítica em todo o país. Desse total de construções arruinadas, 189 desmoronaram completamente, restando apenas poeira e pedregulhos, enquanto outros 585 prédios sofreram quedas e abalos parciais. Ao todo, os danos estruturais severos atingem pelo menos 2,5 mil pontos diferentes do território nacional. O levantamento de perdas materiais inclui também o comprometimento de 38 hospitais, 44 centros comerciais e pelo menos 1,6 mil estradas, pontes e outras vias de ligação terrestre essenciais para o transporte.
Avaliação de segurança e classificação de risco
Para acalmar os ânimos e lidar com o temor constante de novos desabamentos, a presidente do país, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de uma comissão técnica especial encarregada de analisar a habitabilidade e a segurança das construções civis nas áreas afetadas. De acordo com a presidente, existe uma apreensão muito forte e compreensível entre as famílias cujas moradias foram atingidas pelos tremores, embora seja preciso compreender que as marcas e fissuras visíveis na parte externa dos imóveis não signifiquem, necessariamente, que exista um comprometimento estrutural grave nos alicerces das moradias.
O comitê de engenheiros vai vistoriar sistematicamente cada prédio, ponte ou rodovia utilizando um modelo claro de classificação por cores. A sinalização vermelha será dada às estruturas que apresentarem risco iminente de desmoronamento total ou parcial, as quais deverão ser interditadas imediatamente. As áreas identificadas em amarelo indicarão risco médio de segurança, exigindo atenção e intervenções de reparo. Por fim, a marcação com a cor verde apontará que a estrutura está perfeitamente segura e totalmente liberada, sem apresentar qualquer risco para o retorno das famílias venezuelanas.







