Brasília (DF) – O caixa do setor de turismo brasileiro nunca esteve tão cheio nos primeiros cinco meses de um ano. Entre janeiro e maio, os visitantes estrangeiros deixaram R$ 25 bilhões na economia do país, um teto histórico para o período. O montante representa um salto de 11% frente aos R$ 22,6 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado, consolidando uma trajetória de forte recuperação e atratividade do destino nacional.
O comportamento do mês de maio ajuda a explicar esse desempenho. Foram R$ 4,08 bilhões injetados por viajantes internacionais apenas nesse período, uma expansão expressiva de 19% em relação aos R$ 3,42 bilhões computados em maio do ano anterior. O movimento financeiro foi acompanhado por um volume sem precedentes de desembarques nas fronteiras do país.
As estatísticas oficiais de tráfego indicam que 486.262 turistas de outras nacionalidades entraram no Brasil em maio, o melhor resultado histórico para este mês específico. O crescimento foi de 5,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando 461.341 visitantes cruzaram as fronteiras. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o volume total chega perto da marca de 5 milhões de pessoas, mantendo o nível elevado já observado no mesmo intervalo do ano anterior.
Um dos principais motores dessa arrancada recente veio do mercado asiático. O fluxo de viajantes chineses registrou uma escalada notável em maio de 2026, com 15.380 desembarques no país — uma alta de 75% na comparação com as 8.767 chegadas de maio de 2025. O fenômeno coincide com a implementação da dispensa de visto de turismo e negócios para cidadãos da China, em vigor desde 11 de maio com validade até 31 de dezembro.
No acumulado de janeiro a maio, a presença chinesa em solo brasileiro somou 55.260 pessoas, superando em 43% o volume de 38.607 turistas registrado nas mesmas semanas do ano anterior. Essa facilitação burocrática temporária acabou funcionando como um catalisador imediato para viagens de longa distância.
Impacto direto no comércio e serviços
Toda essa circulação de pessoas e recursos financeiros gera um efeito cascata que atinge diretamente o comércio de rua e os serviços. O setor de alimentação fora do lar é um dos que mais colhem os frutos dessa movimentação, tanto nos polos tradicionais de lazer quanto nas cidades com vocação corporativa. Em maio, as vendas de bares e restaurantes registraram uma alta de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, um desempenho impulsionado de forma decisiva pela mistura entre viajantes domésticos e estrangeiros.
Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel, os dados confirmam um cenário extremamente favorável para toda a cadeia da hospitalidade. A avaliação do setor é de que o trabalho contínuo de promoção do país no exterior tem se provado eficiente, consolidando patamares robustos após um ano que já havia apresentado números históricos. A expectativa do segmento é manter o ritmo aquecido, aproveitando a visibilidade do país para atrair novos perfis de consumo.










