Brasília (DF) – O Cine Brasília foi palco, nesta terça-feira (23), da estreia de uma produção que revisita o nascimento do futebol feminino brasileiro no cenário internacional. O documentário Brasil 88: Depois do Silêncio mergulha na participação da equipe nacional no torneio experimental da FIFA, realizado na China em 1988, um marco que serviu como embrião para o que viria a ser a Copa do Mundo da modalidade.
A produção, assinada pelo Ministério do Esporte, recorre a imagens de arquivo e relatos das protagonistas para desenhar um panorama de resistência. O grupo enfrentou não apenas adversárias em campo, mas um legado de décadas de proibição — o futebol feminino foi vetado no país entre 1941 e o início dos anos 80. Mesmo com a prática liberada, as atletas daquela era careciam de suporte financeiro e enfrentavam o descaso de dirigentes.
A campanha na China foi de contrastes. Após estrear com derrota por 1 a 0 para a Austrália, o time encontrou seu ritmo ao bater a Noruega por 2 a 1 e golear a Tailândia por 9 a 0. O caminho seguiu com uma vitória apertada sobre a Holanda, nas quartas de final, e uma eliminação na semifinal, novamente diante das norueguesas. O pódio veio após um empate em 0 a 0 contra as donas da casa, decidido nos pênaltis.
Treze daquelas atletas compareceram à exibição em Brasília. Entre elas, a artilheira Cebola, que anotou seis gols no torneio, não poupou críticas à falta de amparo da CBF na época. “Foi tudo na raça”, recordou, destacando que a dedicação do grupo superou o preconceito social daquele período. A atacante Michael Jackson e a capitã Caju reforçaram o tom, descrevendo o amor pela camisa como o único combustível diante da precariedade.
O lançamento ocorre dentro das atividades da Semana Nacional do Esporte, em um movimento que olha para a Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil. O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, aproveitou a ocasião para prometer um programa de auxílio voltado especificamente para as pioneiras daquela geração.
A plateia de 200 estudantes da rede pública do Distrito Federal acompanhou a sessão, que serviu como uma ponte entre o passado e o futuro do esporte. Para jovens como Sofia Mendes, que joga futsal, a obra valida o caminho aberto por aquelas mulheres que, em tempos de silêncio, insistiram em ocupar os gramados.








