Évian, França – Os bastidores da Cúpula do G7, na cidade francesa de Évian, tornaram-se o cenário de uma articulação diplomática que pode abrir novas fronteiras para o comércio da América do Sul. Em reunião bilateral realizada nesta terça-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, deram os primeiros passos para viabilizar um futuro acordo comercial entre o bloco asiático e o Mercosul. O Brasil participa do encontro das maiores economias do mundo como país convidado.
A intenção brasileira é acelerar esse processo o quanto antes. Lula pretende levar o tema formalmente para o próximo encontro de líderes do Mercosul, agendado para o dia 30 de junho, no Paraguai. Há uma forte expectativa de que as discussões avancem rapidamente. O presidente brasileiro manifestou entusiasmo com o que chamou de perspectiva virtuosa para a parceria entre o Japão e o bloco sul-americano, sinalizando o desejo de apresentar resultados concretos e anúncios positivos já no encerramento deste mês.
Cobrança global por financiamento
A agenda de Lula em território francês não se resume às parcerias comerciais diretas. Durante a sessão ampliada do G7, o presidente brasileiro deve adotar um tom de cobrança em relação aos compromissos históricos das nações mais ricas do planeta. O foco principal será a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento. Trata-se do mecanismo pelo qual os países altamente industrializados transferem recursos financeiros para apoiar o crescimento econômico e social de nações em situação de vulnerabilidade.
Tensões e barreiras com a Europa
Ainda nesta terça-feira, a diplomacia brasileira divide sua atenção com outro debate complexo. Lula tem encontros reservados com as principais lideranças da União Europeia: o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A pauta é urgente e envolve pendências que travam a consolidação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e o bloco europeu.
Embora o tratado tenha sido assinado em janeiro e parte de suas regras comerciais já vigore de forma provisória desde maio, o caminho para a consolidação definitiva é longo e tortuoso. O texto atual passa por um crivo rigoroso na Justiça da Europa e ainda depende da ratificação individual dos parlamentos de todas as 27 nações que integram o bloco europeu.
Para complicar o cenário diplomático, uma barreira comercial iminente entra em vigor em setembro. Sob a justificativa de não conformidade com rígidos padrões sanitários locais, os europeus pretendem banir a importação de diversos produtos de origem brasileira, incluindo carne, tripas, peixes e mel. Essa restrição técnica promete elevar a temperatura das conversas bilaterais e testar a capacidade de negociação da delegação brasileira no continente europeu.











