Teerã (Irã) – O Irã entrou neste domingo, 1º, em um território completamente desconhecido. A TV estatal iraniana e a Agência de Notícias da República Islâmica confirmaram na madrugada a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por 36 anos, morto nos ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos. Segundo a Reuters, a morte de Khamenei expõe uma profunda divisão em um país atônito com o falecimento repentino de quem foi, por mais de três décadas, a autoridade máxima e incontestável da República Islâmica.
As imagens que chegaram de Teerã ao longo da manhã mostraram dois Irãs ao mesmo tempo. Em praças da capital, multidões vestidas de preto se reuniram em luto, muitas pessoas chorando. Em paralelo, vídeos publicados nas redes sociais registraram cenas opostas: em Dehloran, na província de Ilam, grupos comemoravam a derrubada de uma estátua do líder supremo. Na cidade de Karaj, na província de Alborz, próxima a Teerã, havia pessoas dançando nas ruas. A coexistência dessas imagens resume uma fratura social que o regime nunca admitiu em público, mas que os ataques trouxeram à superfície de forma brutal.
O saldo humano dos bombardeios é pesado. A Sociedade Crescente Vermelho — organização humanitária civil iraniana — informou ao menos 201 mortos e 747 feridos, número reportado por agências como a Al Jazeera. Com a cúpula política e militar do país eliminada em menos de 48 horas, o vácuo de poder exigiu uma resposta imediata.
Ainda neste domingo, foi anunciada a formação de um órgão colegiado de emergência para substituir Khamenei interinamente. O conselho é composto pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário Gholam Hossein Mohseni Ejeie e pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf — segundo o jornal estatal Tehran Times. A agência ISNA informou ainda a nomeação do aiatolá Alireza Arafi para representar no colegiado o Conselho dos Guardiões, estrutura que era liderada pelo próprio Khamenei.
É uma solução provisória montada às pressas para preencher um cargo que, pela constituição iraniana, é vitalício e concentra poderes que nenhum presidente ou parlamentar detém individualmente. O que esse conselho consegue fazer, quanto tempo dura e como as facções internas do regime vão reagir são perguntas que o mundo ainda não tem respostas. O Irã de amanhã é uma página em branco.











