Teerã (Irã) – O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã ganhou neste domingo, 1º, uma dimensão que ninguém havia previsto com essa velocidade. A agência estatal iraniana ILNA divulgou a morte do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, de 69 anos, atingido pelos ataques aéreos a Teerã enquanto estava em sua residência no distrito de Narmak, zona leste da capital. Seus guarda-costas também morreram. Ahmadinejad havia presidido o Irã entre 2005 e 2013 e era um dos rostos mais conhecidos do regime internacionalmente.
Mas a morte do ex-presidente foi apenas parte de um quadro muito mais grave. A mídia estatal iraniana confirmou também a morte do aiatolá Ali Khamenei — o líder supremo do país, figura que ocupava o posto vitalício há 36 anos e era, na prática, a autoridade máxima do Irã acima de qualquer presidente ou general. A morte de Khamenei representa uma ruptura sem precedentes na estrutura de poder da República Islâmica, fundada em 1979.
Outros nomes centrais do aparato de segurança iraniano também foram confirmados entre os mortos: o secretário do Conselho de Defesa, contra-almirante Ali Shamkhani, e o comandante-chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, major-general Mohammad Pakpour. Em menos de 48 horas desde o início dos bombardeios na madrugada de sábado, os ataques de Israel e dos Estados Unidos eliminaram, em sequência, a cúpula política e militar do Irã.
Ahmadinejad deixa uma trajetória marcada por polêmicas dentro e fora do Irã. Líder populista, foi presidente em dois mandatos consecutivos e ficou conhecido internacionalmente por discursos inflamados, pela defesa intransigente do programa nuclear iraniano e por declarações que geraram reações em todo o mundo. Em 2009, visitou o Brasil em visita oficial, quando se reuniu com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu segundo mandato. Na ocasião, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU — um gesto diplomático que gerou debate interno no país à época.
O que acontece agora no Irã é uma incógnita. Com o líder supremo morto, a cúpula militar dizimada e o país sob ataque, o vácuo de poder que se abre é, por si só, um dos cenários mais imprevisíveis da geopolítica contemporânea. A comunidade internacional observa, e as próximas horas serão decisivas para entender os desdobramentos do conflito que se instalou no Oriente Médio.











