Nesta quinta-feira, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão anunciaram conjuntamente sua disposição em atuar para reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital que foi fechada pelo Irã após o início de um conflito armado. O comunicado oficial expressa a vontade dessas nações em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura, elogiando o planejamento preparatório já em andamento por outras partes.
A declaração surge quatro dias depois de esses mesmos países, juntamente com o Japão, terem recusado participar de uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos e Israel para liberar o estreito. Essa recusa havia gerado descontentamento no então presidente Donald Trump, que chegou a afirmar que não precisaria de “ninguém” para a operação.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde transita aproximadamente 20% do petróleo global, tem causado grande instabilidade nos mercados financeiros internacionais. Tal bloqueio impulsionou a alta do barril de petróleo, gerando repercussões econômicas significativas em escala mundial.
Na nota divulgada hoje, as potências europeias e o Japão condenaram veementemente os recentes ataques iranianos contra embarcações no Golfo, assim como as agressões a infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás. Eles manifestaram profunda preocupação com a escalada do conflito.
O comunicado conjunto exigiu que o Irã “cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito à navegação comercial”. As nações signatárias reafirmaram a liberdade de navegação como um princípio fundamental do direito internacional.
A nota ainda alertou que os impactos das ações iranianas serão sentidos globalmente, afetando especialmente as populações mais vulneráveis. O Irã fechou o Estreito de Ormuz em resposta direta aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel, iniciados em 28 de fevereiro contra o país persa.
O governo iraniano mantém a posição de que a passagem está bloqueada para os EUA, Israel e seus aliados, incluindo as nações europeias que, em sua maioria, apoiam politicamente os ataques ao Irã, com a Espanha sendo uma exceção que condena a guerra.
Na última quarta-feira, a escalada do conflito ganhou mais intensidade quando Israel bombardeou o campo de gás South Pars, no Irã. Em retaliação, o Irã atacou a indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, o que elevou as incertezas econômicas relacionadas à guerra.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Esta é a segunda vez, desde junho de 2025, que Israel e os Estados Unidos lançam ataques contra o Irã, em meio a negociações sobre o programa nuclear e balístico iraniano. A ofensiva mais recente começou em 28 de fevereiro, com bombardeios dos EUA e Israel à capital Teerã.
Nesse ataque, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, faleceu, juntamente com outras autoridades. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi então escolhido como o novo líder do país. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra países árabes do Golfo que abrigam presença militar dos Estados Unidos, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
A tensão na região tem raízes históricas, intensificadas desde o primeiro governo Trump, quando os EUA abandonaram o acordo sobre armas nucleares firmado em 2015, sob a administração de Barack Obama. Tanto Israel quanto os Estados Unidos sempre acusaram Teerã de buscar o desenvolvimento de armas nucleares.












