Por Gabriel Lopes
O Departamento de Educação dos Estados Unidos anunciou, em 26 de janeiro de 2026, o lançamento de um processo de negotiated rulemaking (regras negociadas) para reformar e fortalecer o sistema de acreditação do ensino superior — um dos mais influentes e controversos mecanismos da educação norte-americana.
O chamado Comitê de Acreditação, Inovação e Modernização (AIM) foi criado com o objetivo de propor mudanças nas regras federais que orientam como agências acreditadoras são reconhecidas e supervisionadas pelo governo. O foco, segundo comunicados oficiais, é colocar estudantes e seus resultados no centro da avaliação da qualidade do ensino.
O Sistema Atual: Burocracia à Vista
O sistema de acreditação nos EUA, embora tenha sido criado historicamente para assegurar padrões mínimos de qualidade, é frequentemente criticado por sua complexidade e pelo papel excessivo que exerce sobre instituições e estudantes:
Atores Privados com Poder Público: Agências acumulam autoridade para decidir quais instituições podem receber financiamento federal, como empréstimos estudantis e bolsas, apesar de serem, em grande parte, entidades não governamentais.
Barreiras à Inovação: O modelo atual tende a privilegiar credenciadas tradicionais, dificultando a entrada e o reconhecimento de instituições emergentes e inovadoras.
Custo e Pressão Administrativa: Regras e padrões muitas vezes contribuem para custos mais altos e para uma burocracia que pouco dialoga com as necessidades reais dos estudantes.
Especialistas apontam que tais entraves podem reforçar modelos homogêneos e lentos, que não acompanham as transformações rápidas no mercado de trabalho e no perfil estudantil contemporâneo.
O Que Muda com o AIM
A reforma proposta pelo AIM Committee inclui diversas frentes que podem alterar profundamente o cenário:
1. Reconhecimento de Novos Acreditadores
O Departamento quer facilitar o reconhecimento de novas agências acreditadoras, ampliando concorrência e opções para instituições que hoje se sentem excluídas do modelo tradicional.
2. Redução da Burocracia e Custos
Uma das metas é revisar e remover requisitos que criam custo desnecessário e duplicidade de processos, acelerando avaliações sem comprometer a qualidade educacional.
3. Foco em Dados de Resultados Estudantis
Em vez de critérios muitas vezes vagos ou formais, a proposta quer que a acreditação se baseie rigorosamente em dados de desempenho estudantil, como taxas de conclusão, emprego pós-graduação e outras métricas de impacto real.
4. Igualdade e Legalidade nos Critérios
O Departamento também pretende assegurar que padrões de acreditação estejam em estrita conformidade com leis federais contra discriminação, revisando normas que possam favorecer ou penalizar grupos com base em características imutáveis.
Crítica ao Modelo Tradicional
Analistas e educadores defensores de inovação criticam o modelo vigente por:
Preservar o Status Quo: Em muitos casos, agências acreditadoras valorizam processos e estruturas tradicionais, criando obstáculos para formas alternativas de ensino e instituições mais recentes.
Priorizar Burocracia em vez de Aprendizagem: A burocracia excessiva pode desviar recursos e atenção do desenvolvimento real de competências pelos estudantes.
Desalinhamento com o Mercado: Em um mundo em rápida transformação tecnológica e laboral, modelos de acreditação rígidos podem retardar adaptações necessárias no currículo e nos processos pedagógicos.
Com base nas metas anunciadas pelo Departamento de Educação, há um reconhecimento explícito dessas críticas e uma tentativa de reposicionar o sistema para que ele realmente valorize os estudantes e futuros profissionais, e não apenas normas administrativas.
O Caminho à Frente
O processo de negotiated rulemaking inclui consultas públicas e participação de diversas partes interessadas, incluindo instituições, estudantes e especialistas, até que novas regras sejam propostas e formalizadas.
Especialistas observam que, se implantadas de forma eficaz, as reformas podem abrir espaço para modelos educacionais mais flexíveis, transparência na avaliação da qualidade e maior foco em resultados reais para quem estuda e, futuramente, ingressará no mercado de trabalho.












