Campinas (SP) – O Ministério Público de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira, 9 de abril, a Operação Infiltrados. O trabalho foca em uma rede de corrupção que envolve a cooptação de agentes públicos por integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A ação é um desdobramento das iniciativas Pronta Resposta e Off White, concentrando esforços em desmantelar a comunicação entre criminosos e servidores que deveriam combatê-los.
Dez mandados de busca e apreensão e três ordens de prisão temporária estão em execução nas cidades de Campinas e Cardoso. A operação conta com o apoio estratégico do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, além das corregedorias das polícias Civil e Penal, e do 1º Batalhão de Ações da Polícia Civil de Campinas.
O ponto central da apuração traz uma revelação grave: o PCC planejava atentar contra a vida de Amauri Silveira Filho, promotor de Justiça que atua no Gaeco. Documentos e registros colhidos pelos investigadores indicam que um dos articuladores desse ataque manteve um encontro presencial com o chefe de investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes de Campinas. A reunião ocorreu apenas sete dias antes da operação que frustrou o homicídio em 2025, sendo confirmada por imagens de vídeo.
Além da ameaça a membros do Ministério Público, os investigadores identificaram uma prática paralela de extorsão protagonizada por um estagiário da própria instituição. O jovem, alocado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas, aproveitou o acesso a dados sigilosos para identificar membros da facção que possuíam alta liquidez financeira. Com o respaldo de outros servidores, ele exigia valores em troca de garantias sobre o andamento de inquéritos policiais.
A estrutura dessa rede criminosa contava com participações específicas para o sucesso das extorsões. O estagiário agia com o auxílio direto de um policial penal e de um ex-policial civil, este último já expulso da corporação por envolvimento em delitos anteriores de mesma natureza. A conduta envolvia desde a violação do sigilo funcional até a criação de um escudo de proteção para criminosos que buscavam evitar o peso da lei dentro das promotorias.
O balanço da operação segue em atualização conforme as equipes recolhem documentos nas residências e locais de trabalho dos alvos em Campinas e Cardoso. A suspeita é que a infiltração de criminosos dentro do próprio Ministério Público tenha facilitado a logística do PCC na região nos últimos anos, permitindo um trânsito perigoso entre o crime organizado e o sistema de justiça.













