Brasília (DF) – O desembargador mineiro Magid Nauef Láuar virou alvo de um processo administrativo disciplinar nesta terça-feira (9) após uma série de denúncias de crimes sexuais que envolvem pelo menos sete vítimas. A decisão de abrir a investigação interna foi tomada por unanimidade em Brasília, ampliando o cerco contra o magistrado, que já estava afastado de suas funções no Tribunal de Justiça de Minas Gerais desde o fim de fevereiro.
A crise em torno de Láuar começou a ganhar força após a repercussão de uma decisão sua no Triângulo Mineiro. Na ocasião, ele absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. O caso gerou indignação e motivou as primeiras apurações oficiais, mas o cenário se agravou à medida que novas denúncias surgiram, recuando ao período em que ele atuava como juiz de primeira instância nas cidades de Ouro Preto e Betim.
Durante as investigações preliminares, sete mulheres decidiram depor. Os relatos apontam para um padrão de conduta abusiva ao longo de sua carreira jurídica. Entre as vítimas estão estagiárias, servidoras do Judiciário e funcionárias terceirizadas que trabalhavam em sua própria residência. Algumas delas eram menores de idade quando os abusos teriam acontecido. A maioria dessas testemunhas procurou as autoridades espontaneamente após as primeiras notícias sobre o afastamento do magistrado.
Diligências que contaram com o apoio da Polícia Federal ajudaram a desenhar o comportamento do desembargador no ambiente de trabalho. Os depoimentos indicam que ele se aproveitava da relação de poder e da vulnerabilidade das vítimas — muitas vezes jovens em cargos temporários ou em situação de subordinação direta —, o que dificultava qualquer reação imediata. Havia também um sentimento generalizado de que denúncias formais seriam inúteis devido à influência e ao prestígio social de Láuar no meio jurídico.
Padrão de aproximação física forçada
As narrativas das vítimas descrevem episódios recorrentes em que o magistrado tentava contato físico sem consentimento. Segundo os depoimentos, ele costumava forçar abraços e outras aproximações invasivas quando se encontrava sozinho com as funcionárias em salas reservadas ou dependências domésticas. Esses relatos deram sustentação técnica para que o andamento do processo disciplinar fosse aprovado sem divergências.
A defesa do desembargador, conduzida pelo advogado Daniel Calazans Palomino Teixeira, contesta as acusações e adota duas linhas de argumentação. A primeira delas é a prescrição, sob a alegação de que as situações relatadas teriam ocorrido há 15 ou até 30 anos, o que impediria a punição. A banca jurídica também levanta a hipótese de que os testemunhos possam ser frutos de falsas memórias, estimuladas pela grande exposição que o caso recebeu na mídia recentemente.
Com a instauração oficial do processo administrativo disciplinar, o caso entra em fase de instrução. Nesse período, novas provas serão coletadas e o desembargador terá a oportunidade de apresentar formalmente seus argumentos e contradizer os depoimentos reunidos até o momento.










