O período de férias costuma ser associado a descanso, viagens em família e momentos de lazer. Mas, fora das fotos nas redes sociais, esse também é um dos momentos mais perigosos do ano nas estradas brasileiras. O aumento do fluxo de veículos, aliado ao cansaço, à pressa para chegar ao destino e, em alguns casos, ao consumo de álcool, cria um cenário propício para acidentes graves.
De acordo com o neurocirurgião e especialista em Medicina Aeroespacial Dr. Samuel Damin, formado pela UNIFESP, os meses de férias concentram um volume maior de atendimentos de urgência relacionados a colisões automobilísticas. “É um período em que vemos crescer significativamente os casos de acidentes de alta energia, como colisões frontais e capotamentos, que estão diretamente associados a traumatismos cranianos”, explica.
O traumatismo craniano segue entre as principais preocupações médicas nesses casos. Segundo o especialista, o impacto pode provocar desde concussões leves até lesões neurológicas permanentes, muitas vezes silenciosas no primeiro momento. “Mesmo quando a pessoa sai do carro andando e aparentemente bem, podem existir sangramentos ou edemas internos que só se manifestam horas depois”, alerta.
Entre os sinais que exigem atenção estão dor de cabeça persistente, náuseas, sonolência excessiva, confusão mental e alterações de comportamento. Em situações mais graves, pode haver perda de consciência e risco imediato à vida. “Qualquer acidente com impacto significativo precisa ser avaliado por um médico, independentemente da presença inicial de sintomas”, reforça Dr. Damin.
Além do uso do cinto de segurança e da decisão básica de não dirigir após ingerir bebida alcoólica, o especialista chama atenção para um erro comum nas viagens de férias: o excesso de velocidade. “Existe a falsa sensação de que andar muito acima dos 100 km/h vai reduzir consideravelmente o tempo de viagem. Na prática, essa diferença costuma ser mínima”, afirma.
Segundo ele, quando se consideram fatores como tráfego intenso, pedágios, obras na pista e trechos de redução obrigatória, o ganho real costuma ser de poucos minutos. “O motorista se expõe a um risco muito maior por um benefício quase irrelevante. É uma troca que não vale a pena”, diz.
Outro ponto crítico é o cansaço. Longos períodos ao volante sem pausas adequadas reduzem reflexos, aumentam a chance de erros e favorecem decisões impulsivas. “Respeitar os limites de velocidade, manter distância segura, fazer paradas regulares e dirigir de forma defensiva são atitudes simples que salvam vidas”, destaca o médico.
Para Dr. Samuel Damin, a mensagem principal para quem vai pegar a estrada nas férias é clara. “A prevenção continua sendo o melhor tratamento. A maioria dos traumas graves que atendemos poderia ser evitada com escolhas mais responsáveis durante a viagem.”
Em um período pensado para descanso e celebração, a atenção no trânsito se torna parte essencial do cuidado com a própria vida e com a de quem está ao redor. Aproveitar as férias com segurança é o primeiro passo para garantir boas lembranças e um retorno tranquilo para casa.











