Brasília (DF) – O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, acendeu um sinal de alerta nesta quinta-feira (5): os conflitos armados em curso no mundo, especialmente no Oriente Médio, podem chegar à mesa dos brasileiros na forma de alimentos mais caros.
“Estamos preocupados. Espero que não tenha impacto. Mas, se aumentar o preço do petróleo, vai ter impacto. Se o dólar aumentar, vai ter impacto”, disse Teixeira durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A declaração resume uma cadeia de vulnerabilidades que conecta o campo de batalha ao carrinho de supermercado com uma lógica mais direta do que parece.
O caminho começa nos fertilizantes — insumo essencial para a produção agrícola brasileira, comprado majoritariamente em dólar no mercado internacional. Quando a moeda americana sobe, o custo de plantar aumenta. Quando o petróleo encarece, o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva, do transporte ao processamento. E quando os preços da carne, da soja e do milho — todos precificados em dólar nas bolsas internacionais — sobem lá fora, o Brasil sente o reflexo aqui dentro. “Esses preços são transmitidos para o preço dos alimentos, gerando aumento”, explicou o ministro.
Teixeira não fez previsões catastrofistas, mas tampouco minimizou o risco. A frase com que encerrou o tema diz mais do que qualquer projeção técnica: “Rezo para que essa guerra não interfira no preço dos alimentos no Brasil.”
O alerta do ministro chega num momento em que o país já enfrenta pressão inflacionária no setor de alimentos e em que as famílias de menor renda comprometem parcela significativa do orçamento com a alimentação. Uma nova rodada de alta, puxada por fatores externos e fora do controle do governo brasileiro, teria efeito imediato e desigual sobre a população.











