Brasília (DF) – A Caixa Econômica Federal fechou 2025 com o maior lucro de sua história. O lucro líquido recorrente chegou a R$ 15,5 bilhões, alta de 10,4% sobre o ano anterior. O lucro líquido contábil foi ainda maior: R$ 16,1 bilhões, crescimento de 18,7% em relação a 2024. Os dados foram divulgados pelo banco na noite desta quarta-feira (4).
Os números anuais impressionam, mas o quarto trimestre trouxe um sinal de cautela. Entre outubro e dezembro, o lucro recorrente caiu para R$ 2,77 bilhões — recuo de 39,6% frente ao mesmo período de 2024 e de 26,5% em relação ao trimestre anterior. A queda no final do ano não apaga o desempenho geral, mas indica que o ritmo de geração de resultado desacelerou de forma relevante.
A carteira de crédito encerrou o ano em R$ 1,378 trilhão, expansão de 11,5% sobre 2024. O financiamento imobiliário — carro-chefe histórico da Caixa — cresceu 13%, consolidando o banco como o principal agente do mercado habitacional brasileiro. O crédito comercial para pessoas jurídicas avançou 14,2% e para pessoas físicas, 13,4%. Em contrapartida, as operações de saneamento e infraestrutura cresceram apenas 1% e o agronegócio expandiu modesto 0,6%.
É justamente no agronegócio e nas empresas que o balanço apresenta sua face mais preocupante. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,07% — ante 3,01% no trimestre anterior e 1,97% no mesmo período de 2024. O avanço anual de mais de 1 ponto percentual reflete o encarecimento do crédito num ambiente de juros elevados.
Mas os números setoriais são os que mais chamam atenção. No crédito para pessoas físicas, a inadimplência chegou a 6,02%. Entre as empresas, atingiu 12,13%. E no agronegócio, alcançou 14,09% — um patamar que coloca esse segmento como o maior ponto de risco na carteira do banco. O único setor que foi na direção contrária foi o imobiliário, onde a inadimplência caiu para 1,18%, refletindo a solidez das garantias e o perfil mais conservador desse tipo de operação.
O resultado da Caixa em 2025 é, portanto, um retrato com duas faces. De um lado, um banco público que expande crédito, bate recordes de lucro e mantém sua relevância estrutural na economia brasileira. Do outro, sinais crescentes de estresse em segmentos que respondem por parcela significativa da carteira — e que operam num ambiente de crédito ainda caro e seletivo.













