Vitória (ES) – Com a chegada do recesso de fim de ano, muitas famílias ficam em dúvida sobre como manter o progresso das terapias de crianças neurodivergentes sem a rotina de atendimentos. Segundo especialistas, o período pode, e deve, ser de descanso, mas sem abrir mão de estratégias que preservem conquistas importantes.
De acordo com a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, o segredo está no equilíbrio entre férias e previsibilidade. “As pausas são naturais e necessárias, mas as crianças neurodivergentes precisam de referências claras do que vai acontecer ao longo do dia. Uma agenda visual simples, por exemplo, ajuda a reduzir a ansiedade e mantém a criança conectada às habilidades já desenvolvidas”, afirma.
A especialista reforça que, mesmo fora das clínicas, o ambiente doméstico pode favorecer avanços. “Pequenas práticas inseridas na rotina, como incentivar a criança a participar de tarefas adequadas à sua idade, brincar de forma estruturada ou retomar estratégias já utilizadas pelos terapeutas, já são suficientes para evitar perdas no desenvolvimento”, completa Silvia.
No caso das crianças que ainda estão em intervenção fonoaudiológica, a pausa pode gerar insegurança nos pais. A fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer, especialista em atraso de fala, explica que o recesso não precisa representar retrocesso. “A comunicação pode ser estimulada de maneira leve e natural, sem transformar a casa em consultório. Conversar mais, nomear objetos, cantar músicas e seguir a orientação que a equipe terapêutica já vinha aplicando são atitudes simples que ajudam a manter o vínculo com a linguagem”, orienta.
Angelika destaca que o maior erro deste período é deixar a criança totalmente sem estímulos estruturados e deixar de levá-la para socializar nas festas de fim de ano e passeios em família. “É importante respeitar o descanso, mas não abandonar completamente aquilo que vinha funcionando. O ideal é seguir com micro atividades diárias, sem pressão, mantendo o contato frequente com experiências comunicativas e tornando a criança participante de todas as atividades da família”, diz.
Para ambas as especialistas, o recesso pode ser um aliado e não um obstáculo, desde que a família compreenda seu papel como extensão das terapias. A orientação final é sempre comunicar-se com os profissionais que acompanham a criança antes do período de pausa. Assim, é possível definir prioridades, limites e estratégias individualizadas, garantindo que o desenvolvimento continue evoluindo mesmo fora da rotina clínica.
Caso queira se aprofundar na pauta, fico à disposição para fazer a ponte de entrevista com as especialistas.
Silvia Kelly Bosi
Cientista e neuropsicopedagoga, graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, com especializações em Autismo, Desenvolvimento Infantil, Análise do Comportamento, Neurociências e Neuroaprendizagem. Certificada internacionalmente pelo CBI of Miami em Desenvolvimento Infantil e Avaliação Comportamental. Mestranda em Atenção Precoce pela Universidad del Atlántico (Espanha) e Perita Judicial certificada pela PUC-Rio. Atua com foco em avaliação neuropsicopedagógica e intervenção nos contextos clínico e educacional.
Angelika dos Santos Scheifer
Fonoaudióloga, pós-graduada em Avaliação e Reabilitação em Motricidade Orofacial e Distúrbios de Fala e Linguagem, formação avançada em PECS, formação em laserterapia para clínica fonoaudiológica e aprimoração em ação fonoaudiológica no TEA. Produtora de conteúdo digital para promoção de saúde em fala e linguagem. Atua em atendimento clínico e em treinamento familiar para o desenvolvimento da fala infantil, com consultas presencial e online para todo o Brasil.







