Vitória (ES) – A poluição do ar é responsável por milhões de mortestodos os anos no mundo e o Brasil não é exceção: apenas em 2024 foram quasecem mil óbitosem nosso país, de acordo com o governo federal. A recente chegada do outono agrava esse quadro. O HCor – Hospital do Coração, em São Paulo, registra umaumento de 30 a 40% no atendimento a pacientes com doenças respiratórias e cardiovasculares durante o outono/inverno. Crianças e idosos são os mais vulneráveis.
Este não é um assunto exclusivo dos grandes centros urbanos. Mais seca, essa estação não só prejudica a dispersão de poluentes nos centros urbanos como também favorece queimadas e incêndios nas zonas rurais. Em 2024, por exemplo, a poluição do ar na região Norte foi mais intensa do que em áreas urbanizadas do Sudeste em 2024 por causa da fumaça dos incêndios florestais, segundo dados do MapBiomas Atmosfera.
Porém a poluição do ar prejudica mais que a saúde humana. Muitas das principais fontes de poluição que causam doenças respiratórias e agravam problemas cardíacos, como a queima de combustíveis fósseis no transporte e na geração de energia, atividades industriais e queimadas, são as mesmas que emitem gases de efeito estufa que estão aquecendo o planeta e alterando o clima – o que, por sua vez, intensifica os eventos extremos que também estão ceifando vidas. Até o início de março foram registradas21 mortes no estado de São Paulo; em Minas Gerais, forammais de 90.
Apesar de sua relevância, este ainda é um tema espinhoso para quem precisa abordar o assunto para alertar ou educar as pessoas, como é o caso de pais, professores, profissionais da saúde e jornalistas, entre outros. “A complexidade da poluição atmosférica exige uma abordagem cuidadosa e multidisciplinar por se tratar de um fenômeno que envolve processos químicos e físicos na atmosfera, decorre de múltiplas fontes e causa impactos diferentes em regiões e populações”, explica a Dra Evangelina Araújo, diretora do Instituto Ar, que acaba de lançar umacartilha online gratuita. “Comunicar bem sobre o assunto é parte essencial da mobilização social e da construção das soluções que precisamos com urgência”, ressalta.
O guia busca traduzir o conhecimento científico de forma acessível. Muitas vezes, informações importantes ficam restritas a relatórios técnicos ou à literatura acadêmica, o que dificulta a compreensão do público e até mesmo de profissionais da comunicação. Nesse sentido, o material propõe aproximar ciência e comunicação, ajudando profissionais a interpretar dados, contextualizar pesquisas e explicar fenômenos ambientais de maneira compreensível.
O que suja o ar?
A poluição do ar ocorre quando substâncias químicas, partículas ou gases são liberados na atmosfera em concentrações capazes de causar danos à saúde humana, aos ecossistemas ou ao clima. Essas substâncias podem ter origem natural, como erupções vulcânicas ou poeira do solo, mas a maior parte das emissões associadas a impactos severos está ligada a atividades humanas.
Entre as principais fontes estão:
- transporte movido a combustíveis fósseis
- atividades industriais
- geração de energia
- queimadas e incêndios florestais
- atividades agrícolas
- processos urbanos e resíduos
O guia do Instituto Ar também explica que os poluentes atmosféricos podem se apresentar de diferentes formas, como gases ou partículas microscópicas em suspensão, muitas vezes invisíveis a olho nu.
Quais poluentes mais prejudicam a saúde?
Se no caso do aquecimento global os gases mais danosos são o dióxido de carbono e o metano, para a saúde pública um dos poluentes mais relevantes é o material particulado. Ele é composto por partículas sólidas ou líquidas extremamente pequenas que permanecem suspensas no ar. Dependendo do tamanho, essas partículas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir a corrente sanguínea.
A exposição prolongada a esse tipo de poluente está associada ao aumento de doenças respiratórias, cardiovasculares e diversos outros problemas de saúde. O material particulado é gerado pelo transporte e também por incêndios e queimadas.
O que é o guia de qualidade do ar?
O guia “Comunicação de Qualidade (do Ar): um guia sobre poluição atmosférica e mudanças climáticas para comunicadores”, elaborado pelo Instituto Ar, com o apoio do Instituto Itaúsa, reúne conceitos, definições e recomendações para a comunicação correta e eficiente sobre um problema que envolve ciência, saúde pública, meio ambiente e políticas públicas.
A iniciativa parte da premissa de que informação de qualidade é fundamental para promover transformação social. Ao tornar conceitos científicos mais acessíveis e oferecer referências para profissionais da comunicação, o guia busca ampliar a compreensão pública sobre a poluição do ar e estimular a mobilização em torno de soluções que levem a cidades mais saudáveis e a um ambiente mais equilibrado.
O guia reúne fundamentos científicos, conceitos básicos e referências que podem orientar a cobertura jornalística e a produção de conteúdos sobre o assunto.
Entre os objetivos do documento estão:
- facilitar a compreensão sobre o que é poluição atmosférica e como ela se forma;
- explicar sua relação com as mudanças climáticas;
- esclarecer conceitos técnicos frequentemente utilizados no debate público;
- contribuir para evitar desinformação ou interpretações equivocadas;
- incentivar uma comunicação mais clara, baseada em evidências científicas.
Sobre o Instituto Ar
O Instituto Ar é uma organização sem fins lucrativos dedicada à proteção da saúde humana por meio do enfrentamento das mudanças climáticas e da poluição atmosférica. A instituição atua na produção e disseminação de conhecimento científico, na qualificação do debate público e na promoção de políticas que contribuam para a melhoria da qualidade do ar.
Veja o guia completo aqui: Guia Sobre Qualidade do Ar | Instituto Ar













