O mês de março marca a campanha Março Azul-Marinho, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. Mesmo ocupando a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, a doença ainda enfrenta resistência quando o assunto é prevenção, muito por conta do tabu em falar sobre sintomas e exames.
O câncer de intestino costuma evoluir de forma silenciosa, o que torna o diagnóstico precoce um desafio. Por isso, adotar hábitos saudáveis, reconhecer sinais de alerta e realizar exames preventivos são atitudes fundamentais para reduzir a mortalidade e ampliar as chances de tratamento eficaz.
- Falar sobre o tema é o primeiro passo
O silêncio ainda é um dos grandes obstáculos no combate ao câncer de intestino. Muitas pessoas evitam conversar sobre sintomas intestinais ou adiam consultas médicas por vergonha ou medo, o que pode atrasar o diagnóstico e comprometer o tratamento.
Para a coloproctologista Dra. Paula A. Conceição, ampliar o diálogo é essencial. “O câncer de intestino costuma se desenvolver sem sintomas nas fases iniciais. Quando o assunto é tratado com naturalidade, aumentam as chances de diagnóstico precoce e de cura.”
- Alimentação rica em fibras protege o intestino
A alimentação tem papel direto na saúde intestinal. Dietas pobres em fibras e ricas em ultraprocessados favorecem inflamações crônicas, criando um ambiente propício para o desenvolvimento do câncer ao longo do tempo.
Segundo a médica, pequenas mudanças fazem grande diferença. “Uma alimentação rica em fibras, frutas, legumes e verduras melhora o funcionamento intestinal e reduz processos inflamatórios associados ao câncer de intestino.”
- Movimento é aliado da prevenção
O sedentarismo está entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal. A falta de atividade física interfere no trânsito intestinal e contribui para o ganho de peso e o aumento da inflamação no organismo.
A especialista destaca que o exercício regular é uma estratégia eficaz. “A prática de atividade física ajuda no controle do peso, melhora o funcionamento do intestino e reduz fatores inflamatórios que aumentam o risco da doença.”
- Evitar hábitos nocivos reduz riscos
Tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade estão diretamente associados ao aumento da incidência do câncer de intestino. Esses hábitos, quando mantidos por longos períodos, impactam negativamente a saúde intestinal.
A médica alerta para a importância da mudança de comportamento. “Reduzir o consumo de álcool, abandonar o cigarro e manter um peso saudável são atitudes fundamentais para a prevenção do câncer colorretal.”
- Sintomas persistentes merecem atenção
Alterações no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes, anemia, dor abdominal frequente ou perda de peso sem causa aparente não devem ser encaradas como algo normal.
A coloproctologista reforça o alerta. “Muitas pessoas normalizam sintomas achando que são apenas hemorroidas ou algo passageiro. A avaliação médica é indispensável para diferenciar situações benignas de quadros que exigem investigação.”
- Colonoscopia vai além do diagnóstico
A colonoscopia é o principal exame para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de intestino. Além de identificar lesões iniciais, o exame permite a retirada de pólipos antes que eles se tornem malignos.
Para a Dra. Paula, esse é um ponto central da prevenção. “A colonoscopia não é apenas um exame diagnóstico. Ao remover um pólipo, interrompemos a evolução para o câncer.”
- Rastreamento deve ser personalizado
A recomendação geral é que pessoas sem fatores de risco iniciem o rastreamento entre 45 e 50 anos. Já quem tem histórico familiar ou doenças inflamatórias intestinais deve começar antes, sempre com orientação médica.
A especialista ressalta que cada caso deve ser avaliado individualmente. “O rastreamento precisa ser personalizado. A história clínica de cada paciente é o que define quando iniciar os exames e com que frequência realizá-los.”
A campanha Março Azul-Marinho reforça que cuidar do intestino é cuidar da saúde como um todo. Informação, prevenção e acompanhamento médico regular seguem sendo as principais ferramentas para reduzir o impacto do câncer colorretal na população.










