O mês de março ganha destaque com a campanha Março Amarelo, voltada à conscientização sobre a endometriose, uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. O tema ganhou ainda mais visibilidade a partir dos relatos públicos de mulheres conhecidas como Anitta, Juliana Paes, Larissa Manoela, Mariana Ximenes, Halsey, Lena Dunham e Padma Lakshmi, que compartilharam suas experiências com dor crônica, diagnósticos tardios e impactos na qualidade de vida. Ao falarem abertamente, essas mulheres ajudaram a quebrar tabus e a chamar atenção para uma condição ainda subdiagnosticada.
A endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio se desenvolvem fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Esse tecido reage às variações hormonais do ciclo menstrual, provocando inflamação recorrente, aderências e dor persistente. Apesar de comum, a doença ainda é pouco compreendida, o que contribui para atrasos no diagnóstico e para anos de sofrimento silencioso.
Segundo o ginecologista especialista em endometriose Dr. Igor Chiminacio, um dos maiores desafios é o desconhecimento em torno da doença. “A endometriose é uma condição inflamatória que se origina ainda na fase embrionária e pode se manifestar de forma progressiva ao longo da vida. Muitas mulheres convivem com dor intensa acreditando que isso faz parte do ciclo menstrual, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento”, explica.
Entre os sintomas mais frequentes estão cólicas menstruais incapacitantes, dor durante as relações sexuais, dor pélvica fora do período menstrual, alterações intestinais e urinárias cíclicas, além da infertilidade. Para o ginecologista e cirurgião geral Dr. Vinícius Araújo, a dor não deve ser normalizada. “Dor menstrual que impede a mulher de exercer suas atividades, dor pélvica crônica e alterações intestinais no período menstrual não são normais. Esses sinais precisam ser investigados, porque podem indicar endometriose em estágios mais avançados”, afirma.
A relação entre endometriose e infertilidade também é significativa. De acordo com Dr. Igor Chiminacio, a inflamação crônica pode comprometer a anatomia da pelve e a função dos ovários e das trompas. “Esse processo inflamatório dificulta a fecundação e a implantação do embrião. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a fertilidade e ampliar as possibilidades de tratamento”, ressalta.
Outro ponto que merece atenção é a endometriose intestinal, que pode ser confundida com doenças gastrointestinais. “Quando o intestino é acometido, a paciente pode apresentar dor abdominal, distensão, constipação ou diarreia, principalmente durante o ciclo menstrual. Por isso, a avaliação especializada é essencial para definir o melhor tratamento”, destaca Dr. Vinícius Araújo.
Para o ginecologista especialista em endometriose Dr. Cesar Patez, do Espírito Santo, a conscientização promovida pelo Março Amarelo é decisiva para mudar esse cenário. “A endometriose não é apenas uma doença ginecológica. Ela impacta a saúde emocional, a vida profissional e os projetos pessoais da mulher. Falar sobre o tema é encurtar o caminho entre os primeiros sintomas e o diagnóstico, reduzindo sofrimento e melhorando a qualidade de vida”, afirma.
O tratamento da endometriose é individualizado e depende da gravidade da doença, da intensidade dos sintomas e dos planos reprodutivos da paciente. Ele pode incluir acompanhamento clínico, controle hormonal, mudanças no estilo de vida e, em casos mais complexos, cirurgia. O consenso entre os especialistas é claro: quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controle e de preservação da saúde feminina.
Ao dar voz às mulheres famosas e às especialistas, o Março Amarelo reforça uma mensagem essencial: dor não é normal e não deve ser silenciada. Informação, diagnóstico precoce e acompanhamento adequado são ferramentas fundamentais para que menos mulheres convivam com a endometriose sem saber.
Mini bio dos especialistas
Dr. Cesar Patez é ginecologista especialista em endometriose, com atuação no Espírito Santo. Trabalha com foco em diagnóstico precoce, tratamento individualizado e preservação da qualidade de vida das pacientes.
Dr. Igor Chiminacio é ginecologista especialista em endometriose, com atuação voltada para o diagnóstico clínico e manejo da doença, incluindo casos relacionados à infertilidade.
Dr. Vinícius Araújo é ginecologista e cirurgião geral, referência em cirurgias ginecológicas de alta complexidade e no tratamento de endometriose, incluindo quadros avançados e intestinais.











