França, França – O cenário internacional volta seus olhares para a França, onde as lideranças do G7 deram início às sessões de trabalho nesta terça-feira, 16. O presidente brasileiro, convidado para integrar as discussões, chega ao evento com uma pauta clara: cobrar dos países mais ricos uma expansão efetiva na Assistência Oficial ao Desenvolvimento. O tema não é novo, mas ganha contornos de urgência ao tratar dos repasses financeiros essenciais para o suporte econômico de nações em vulnerabilidade, um compromisso que a OCDE mantém como pilar de cooperação há mais de meio século.
A presença brasileira na França começou a se desenhar um dia antes. Na segunda-feira, 15, Lula dedicou 40 minutos a uma conversa fechada com o presidente francês, Emmanuel Macron. O encontro entre os dois líderes foi focado em estratégia e parcerias, abrangendo desde o Programa de Desenvolvimento de Submarinos até a cooperação técnica entre o Amapá e a Guiana Francesa. Entre as demandas de Macron, surgiu o interesse na venda de supercomputadores ao Brasil, além de uma pauta social voltada para ampliar o acesso a medicamentos essenciais no chamado Sul Global.
Paralelamente à diplomacia tradicional, Brasília busca protagonismo em saúde pública. Em conjunto com Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, Lula endossou uma carta na segunda-feira sublinhando a necessidade de acelerar a finalização do Acordo Global sobre Pandemias. A mensagem é direta: o mundo precisa de protocolos robustos antes que a próxima crise sanitária se instale. Em paralelo, o presidente brasileiro cumpre uma agenda de reuniões bilaterais, que inclui um diálogo com Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão.
Enquanto o desenvolvimento ocupa os debates, a realidade geopolítica impõe desafios urgentes. A instabilidade no Oriente Médio domina as discussões desta terça-feira. Existe um esforço diplomático — que envolve nomes como Donald Trump e representantes de nações como Emirados Árabes Unidos, Catar e Egito — em torno de um possível acordo preliminar entre Washington e Teerã. O objetivo seria acalmar a região e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz até o final da semana, embora o ceticismo prevaleça. Líderes europeus temem que um acerto superficial apenas dê fôlego para que o Irã consolide seus programas nucleares e de mísseis.
O início das atividades também foi marcado pela pauta da guerra no Leste Europeu. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participou de uma reunião focada nos rumos do conflito contra a Rússia. Ao sair da sessão, o tom do ucraniano foi pragmático: o foco total permanece no fortalecimento do sistema de defesa aérea e na busca por vias diplomáticas que forcem Moscou a encerrar as hostilidades.
Entre a geopolítica das grandes potências e a necessidade de financiamento para o desenvolvimento, o grupo ainda encontra tempo para tratar da exploração de minerais estratégicos. A corrida pela soberania sobre esses recursos, vitais para a tecnologia de ponta, deve ocupar os próximos capítulos das negociações francesas.









