Ibatiba (ES) – Ibatiba pode ganhar um reconhecimento oficial que vai muito além de um título: a cidade, que guarda em cada esquina marcas da presença libanesa, pode ser declarada a Capital Estadual da Imigração Libanesa do Espírito Santo. A proposta é do deputado estadual Coronel Weliton, do PRD, que apresentou o Projeto de Lei 873/2025 na Assembleia Legislativa. Se aprovado, o texto altera o anexo I da Lei 10.974/2019, que reúne a legislação vigente sobre concessão de títulos de homenagem a municípios capixabas.
Na justificativa do projeto, o deputado é direto sobre o que motiva a iniciativa. Para ele, trata-se de reconhecer e valorizar o papel dos imigrantes libaneses, que estão entre os primeiros colonizadores de Ibatiba e contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento local. “A presença libanesa influenciou profundamente diversos aspectos da identidade ibatibense, incluindo o comércio, a agricultura, as tradições familiares, o empreendedorismo e a formação comunitária”, diz o texto. Coronel Weliton também defende que o reconhecimento oficial fortalece a preservação da memória histórica, estimula o turismo cultural e promove o orgulho das famílias descendentes, reforçando os laços entre o Espírito Santo e a comunidade libanesa.
A história que embasa o projeto começa em 1908, quando os primeiros imigrantes libaneses chegaram à região do Caparaó. Ibatiba é considerada a primeira cidade do Espírito Santo fundada por essa comunidade. Antes da chegada dos libaneses, a localidade era formada por pequenos povoados ligados à agropecuária, com destaque para a criação de gado e o cultivo do café — cultura que se tornou a espinha dorsal da economia local por décadas. A colonização inicial havia sido feita principalmente por agricultores vindos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, mas foram os libaneses que deixaram marcas mais profundas no tecido social e econômico da cidade.
Entre os nomes que ficaram para a história, poucos são tão emblemáticos quanto Salomão José Fadlalah. Imigrante libanês e homem à frente do seu tempo, Fadlalah foi pioneiro na implantação da energia elétrica em Ibatiba, introduziu a primeira rádio na vila, atuou no beneficiamento do café e construiu um comércio local próspero que impulsionou o desenvolvimento da região. Hoje, o principal museu da cidade carrega o seu nome: o Museu do Tropeiro, também conhecido como Museu Salomão José Fadlalah, preserva a memória tanto dos tropeiros quanto dos imigrantes libaneses que ajudaram a construir Ibatiba.
O PL 873/2025 ainda precisa passar pelas comissões de Justiça, Turismo, Cultura e Finanças antes de ir a votação no Plenário da Assembleia. Mas independentemente do desfecho legislativo, a proposta já cumpre um papel importante: colocar em evidência uma história que muita gente da própria região ainda não conhece por inteiro — a de que o Espírito Santo tem, no interior serrano, uma cidade profundamente marcada pelo Líbano.








