Ibatiba (ES) – A Câmara Municipal de Ibatiba aprovou na primeira sessão ordinária de 2026, realizada com casa lotada, a abertura de investigação sobre denúncias graves que envolvem o prefeito. A votação teve placar surpreendente: 10 votos favoráveis contra apenas 1 contrário, do vereador Sidmar (NOVO), em uma sessão marcada pela quebra de polarização política.
As acusações incluem fraude em licitação, associação criminosa e tráfico de influência. Segundo vereadores, há áudios que comprovariam a participação direta do gestor municipal em irregularidades.
Quebra histórica de polarização
O que mais chamou atenção foi o voto favorável de aliados históricos do prefeito. O vereador Lucimar Pelé (PL), considerado “braço direito” do gestor e líder do governo na Câmara, votou pela aprovação da investigação.
“Sou vereador eleito pelo povo, não temos que passar a mão na cabeça de ninguém. Creio eu no caráter, creio nos princípios e na identidade do Dr. Luiz Carlos Pancote como prefeito até que prove ao contrário”, justificou Pelé, deixando clara sua confiança pessoal mas votando pela apuração.
O vereador Wesley Andrade Costa (MDB) interpretou o momento como histórico: “Esse grupo parece quebrar a polarização político-partidária do nosso país e de Ibatiba. Esse é um grupo que ganhou falando mal da esquerda. E hoje a gente vê um vereador líder do partido do PL caminhando com deputado da esquerda. O importante é pensar no nosso povo e não em política partidária de lados”.
Único voto contrário
O vereador Sidmar foi o único dos 11 parlamentares a votar contra a investigação. Ele justificou sua posição com base na ausência de valores específicos nas acusações.
“Perguntei qual o valor que foi feito o desfalque. Não tinha valor. Se a gente chega numa delegacia, é acusada: ‘Ah, você roubou? Qual o valor que eu roubei?’ Não, não tem valor aqui não, gente”, questionou Sidmar.
O vereador alertou para as consequências políticas: “Se tem a denúncia, mas não tem o roubo, isso daqui vai ser o quê? Um desgaste pra população. Quem votou do lado A vai ficar defendendo o lado A, quem votou do lado B e isso vai desgastando e quem vai perder é a população”.
Sidmar também relembrou que outras denúncias em 2025 não prosperaram: “Teve a denúncia das cadeiras, Ministério Público foi lá, não aceitou”.
Áudios comprometedores
Wesley Andrade mencionou a existência de áudios que comprovariam o envolvimento do prefeito. “Hoje os áudios estão aqui. Esses áudios vão mostrar Vossa Excelência participando com o licitante de como ele ia ganhar a licitação”, declarou.
Compromissos públicos de imparcialidade
Vários vereadores fizeram compromissos públicos sobre como votarão ao final do processo de 90 dias.
Wesley Andrade: “Se não for provado nada, eu vou votar para não cassar o prefeito. Mas se tiver alguma coisa comprovada, nós queremos ele na rua”.
Fernando Vieira (REPUBLICANOS): “Não terei partidarismo. Irei julgar sem bandeira partidária. Não condenarei ninguém agora. Mas se lá na frente for comprovado, eu sim irei me posicionar da forma que eu fui eleito para me posicionar”.
Ivanito (PP): “Se for provado que Vossa Excelência não tem culpa no cartório, pode ter certeza que esse vereador vai defender Vossa Excelência. Se tiver errado, aí a justiça que defende. Eu acredito na justiça. A justiça tarda, mas não falta”.
Composição da comissão
A comissão de investigação será composta pelos vereadores Jadson (REPUBLICANOS) e Marli (MDB). Jadson prometeu trabalhar “com imparcialidade, mas com dignidade e respeito ao povo, que é o principal interessado”.
“Esse foi o povo que colocou com mais de 2.900 votos de diferença esse prefeito lá. É o povo que precisa saber como está sendo o andamento de sua gestão”, justificou Jadson.
Pedidos de rigor
Wesley Andrade solicitou que a investigação seja conduzida com total lisura e propôs:
- Reunião dos 11 vereadores com o promotor público
- Presença da promotoria durante todo o processo
- Envio do caso ao GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado)
- Garantia de ampla defesa e contraditório ao prefeito
“Ele vai ter o processo legal, ampla defesa e contraditório. Se não tiver nada, ele dá volta por cima. Mas se tiver, nós queremos ele na rua”, declarou Wesley.
Gravidade reconhecida
Mesmo vereadores que votaram a favor reconheceram a gravidade do momento. “Recebemos nessa casa uma denúncia de uma suposta fraude política administrativa promovido por esse prefeito. Ele não cansa de nos surpreender”, disse Jadson, que classificou a denúncia como “válida feita por cidadãos do nosso município, que no exercício de sua função de cidadão juntou, recolheu provas, acumulou e apresentou a nós e ao Ministério Público”.
A comissão terá 90 dias para concluir os trabalhos e apresentar relatório que poderá ou não resultar em processo de cassação do mandato do prefeito.











