Ibatiba (ES) – A empresa INGES, duramente criticada durante a campanha eleitoral de 2024, teve seu contrato com a Prefeitura de Ibatiba ampliado em mais de R$ 500 mil e passou a administrar também o Pronto Atendimento Municipal, além do Hospital Municipal Dr. Ubirajara Faria Lopes que já gerenciava. A situação gerou críticas de vereadores que apontaram contradição entre o discurso de campanha e as ações da gestão.
De R$ 750 mil para mais de R$ 1,2 milhão
O vereador Wesley Andrade Costa (MDB) foi um dos primeiros a questionar a mudança de postura. “O grupo ganhou falando mal da INGES, falando mal do hospital público, do hospital municipal dos tropeiros, e prometeu acabar com a INGES. Falou que era muito alto o contrato de R$ 750 mil”, relembrou.
O parlamentar revelou o valor atual: “Agora, ao invés de tirar o contrato da INGES, aumentou em mais de R$ 500 mil o contrato. Mas há um ano atrás, na campanha, a INGES valia nada. E agora aumenta?”
Wesley criticou a contradição: “O Pingo só tinha feito coisa errado, tinha se associado à INGES, tinha vendido o município. E agora aumenta?”
Pronto Atendimento terceirizado
A vereadora Marli Tiengo do Carmo Faria (MDB) detalhou a extensão da terceirização. “O nosso pronto atendimento municipal, o nosso excelentíssimo prefeito, juntamente com a secretária, terceirizaram o pronto atendimento e quem é responsável hoje pelo pronto atendimento é a empresa INGES”, informou.
Marli explicou que a INGES já administrava o Hospital Municipal Dr. Ubirajara Faria Lopes desde a gestão anterior e, desde fevereiro de 2026, assumiu também o Pronto Atendimento.
A vereadora revelou sua preocupação: “A minha preocupação maior é sobre o valor ser pago, que juntando o hospital e o pronto atendimento vai passar de de R$ 1,2 milhão”.
Zero diálogo com vereadores e servidores
Marli denunciou a falta de transparência no processo. “Não teve diálogo comigo e nem com, acho que, os demais vereadores. Essa decisão foi tomada pelo prefeito e a secretária”, afirmou a parlamentar, que trabalha na área da saúde.
“Eu, apesar de trabalhar dentro, não tive informações, mas eu procurei informações porque a minha preocupação maior é sobre o valor”, disse Marli, demonstrando que buscou os dados por conta própria.
Prefeito garante capacidade de pagamento
Ao procurar o prefeito, Marli recebeu garantias sobre a viabilidade financeira. “O prefeito disse para mim que vai conseguir pagar, que vai ter dinheiro, porque o que ele já mantinha dentro do pronto atendimento é quase o valor que já se tem”, relatou.
Servidores demitidos sem diálogo
O ponto mais sensível da terceirização foi o tratamento dado aos servidores públicos. Wesley Andrade denunciou: “Chutando de lá os nossos servidores, chutando de lá. Houve diálogo com o servidor? Não houve diálogo para tirar vocês de lá. Não houve respeito”.
Marli detalhou a situação dos funcionários afetados. “Havia uma escala de trabalho que funcionava há muito tempo, fruto de um acordo entre servidor, sindicato e o então prefeito Lindon Johnson”, explicou.
A vereadora revelou que o prefeito ofereceu a opção de os servidores ficarem “cedidos” à INGES. “Nosso excelentíssimo prefeito não se preocupou muito com os servidores e fez aceno que a gente poderia ficar cedidos a empresa. Então, mesmo sendo prejudicado de alguma forma, muitos decidiram ficar”, contou.
Servidores voltando à disposição
Marli informou que mesmo quem aceitou a cessão está insatisfeito. “E muitos, mesmo ficando, estão se sentindo prejudicados e estão voltando à disposição do prefeito ou da secretaria”, revelou.
A vereadora enfatizou o tempo de serviço dos afetados: “É muito triste porque tem servidor que serviu ali mais de 20 anos, mais de 18 anos, tem servidor que tá quase aposentando e a gente não teve nenhuma fala do prefeito com a gente e nem da secretária”.
“Estamos falando de uma servidora que está há mais de 15 anos no setor, e não houve diálogo antes da decisão de retirá-la. Além disso, é um grupo que não respeita o servidor público. E hoje fui cobrado por esses servidores.”
Contradição política
A ampliação do contrato com a INGES representa uma das maiores contradições entre discurso de campanha e ação governamental apontadas pelos vereadores. Durante as eleições de 2024, a empresa foi um dos principais alvos de críticas do grupo que hoje governa Ibatiba.
A decisão de não apenas manter, mas ampliar significativamente o contrato, aliada à demissão de servidores históricos sem diálogo, gerou descontentamento inclusive entre vereadores da base do governo, que cobra mais transparência e respeito aos funcionários públicos.









