Ibatiba (ES) – O início do ano letivo de 2026 em Ibatiba expôs uma série de problemas estruturais na educação municipal. Vereadores denunciaram que o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) foi “acabado”, servidores não recebem abono, falta material básico nas escolas e o orçamento de 2025 foi totalmente gasto sem resultados visíveis.
FUNDEB “acabado” e sem abono
O vereador Wesley Andrade Costa (MDB) foi direto ao criticar o tratamento dado aos profissionais da educação. “Culpou muito o ex-prefeito, falou muito do ex-prefeito, mas não valorizou o servidor, acabou com o FUNDEB”, denunciou.
Wesley destacou a contradição: “Diz que dar o abono é muito ruim, mas não valoriza e nem dá o abono”. Ou seja, segundo o vereador, a gestão não implementou formas de valorização alternativas ao abono e ainda assim deixou de pagar o próprio abono.
O parlamentar relatou ter sido procurado por servidores: “O servidor público me cobrou hoje: ‘Vocês vão votar hoje e aumentar o servidor?’ Falei: ‘Não estou sabendo. Não estou sabendo. Não sei de nenhum estudo'”.
O vereador Fernando Vieira (Republicanos) também cobrou: “Continuamos esperando o projeto do piso nacional do magistério. Nossos professores merecem reconhecimento e isso se traduz em trabalho para nossos filhos e famílias. E esperamos também que o abono volte”.
Falta de material básico
Wesley Andrade pintou um quadro preocupante da situação nas escolas. “As aulas voltaram e os professores, as merendeiras, os serventes, monitoras estão sofrendo sem material. Os alunos não têm bola para jogar futebol”, relatou, destacando a carência até mesmo de equipamentos esportivos simples.
O vereador dirigiu-se ao colega Sidmar, que realiza visitas frequentes às escolas: “Vereador Sidmar, vejo que o senhor é um vereador que faz visitas às escolas. O senhor está vendo que está faltando material nas escolas”.
Orçamento gasto sem resultados
Wesley questionou o destino dos recursos: “Todo o orçamento da educação do ano passado foi gasto. Então, muito ao contrário do Ibatiba que o vereador Lucimar está vendo, muito ao contrário, nossa cidade está sucateada”.
Necessidade de novas escolas
O vereador Sidmar (Novo) reconheceu avanços mas cobrou mais. “Tivemos em Criciúma a obra da escola, pelo menos no projeto, vai ficar uma ótima escola, a comunidade vai ser favorecida com a grande escola”, elogiou.
Porém, Sidmar foi além: “Mas não precisamos só da escola de Criciúma, precisamos da escola nas Perobas, precisamos da escola do Alto Inês”.
O vereador também criticou a demora: “Se a gente for: ‘Ah, o mês que vem começa, o mês que vem começa’, olha, tem uma porção de calçamento aí que era para ter começado no mês passado e está parado”.
Reclamações sobre processo seletivo
A vereadora Marli Tiengo (MDB) relatou insatisfação com o processo seletivo de professores. “Tivemos muitas reclamações sobre o processo seletivo, sobre a forma de chamar”, afirmou.
Apesar das reclamações, Marli elogiou a disposição do secretário em dialogar: “O secretário sempre que mandamos mensagem, ele responde, traz esclarecimento”, destacou.
Quadro geral preocupante
A situação da educação em Ibatiba, conforme relatada pelos vereadores, apresenta múltiplas frentes de problemas:
Valorização profissional:
- FUNDEB “acabado”
- Abono não pago
- Sem estudo para aumento salarial
- Piso do magistério pendente
Infraestrutura:
- Falta de material básico
- Sem equipamentos esportivos
- Escola de Criciúma em obras (positivo)
- Faltam escolas em Perobas e Alto Inês
Gestão:
- Orçamento 2025 totalmente gasto
- Resultados não visíveis
- Processo seletivo com reclamações
- Obras atrasadas
Os vereadores demonstraram preocupação especial com o início do ano letivo em condições tão precárias, considerando que a educação é uma das áreas prioritárias de qualquer gestão municipal e que os profissionais e estudantes merecem condições dignas de trabalho e estudo.








