Ibatiba (ES) – A situação das estradas rurais de Ibatiba dominou a primeira sessão ordinária de 2026, com vereadores apresentando vídeos, fotos e relatos que demonstram uma situação crítica generalizada em todo o município. Parlamentares de oposição e situação concordam: as estradas estão em péssimo estado.
“Absolutamente todas intrafegáveis”
O vereador Jadson (Republicanos) foi o mais enfático: “Estamos em fevereiro e absolutamente todas as estradas do município estão quase intrafegáveis. Nem tem chovido tanto assim e as estradas continuam terríveis. Quando chove, não tem jeito de circular”.
Jadson fez questão de frisar: “Isso não é em ponto isolado. São todas as estradas”.
Durante a própria sessão, o vereador recebeu denúncias em tempo real: “Enquanto estava nessa sessão de hoje, recebi duas fotos desta tarde nas comunidades do Paraíso e da Água Limpa, com estradas intransitáveis. E nem tinha dado essa chuva que caiu agora há pouco”.
Vídeos mostram a realidade
O vereador Sidmar (Novo) apresentou vídeos de diversas comunidades: Barra Grande, Resgate, Santa Maria de Cima, Alto Inês, Água Limpa, Cambraia e São José.
“Ibatiba inteira está cobrando. Olha a situação das nossas estradas”, afirmou Sidmar ao mostrar as imagens. Ao exibir vídeo de Barra Grande, o vereador foi direto: “Olha, nem parece estrada”.
“Eu coloquei meu carro na lama”
O vereador Pelé (PL) demonstrou conhecer a realidade in loco. “As estradas rurais realmente estão danificadas, como a vereadora Marli pontuou. Eu ando muito, e não só no seco, ando também no barro”, afirmou.
Pelé contou sua experiência: “Cheguei na comunidade e o pessoal perguntou: ‘Você está aqui?’ Estava debaixo de chuva e coloquei meu carro na lama para ver a realidade da zona rural de Ibatiba”.
Mais de 10 comunidades afetadas
A vereadora Marli (MDB) apresentou fotos de indicações feitas sobre estradas em várias comunidades: Santa Maria (onde mora), Coletor, Rodrigues, Santa Isabel, São José do Meriti, Alto Inês, Cabeceira do Perdido, Perdido e Perobas.
“Como sou representante de todo o município, em todos os setores e áreas, juntei todas as fotos das indicações que fiz sobre as estradas”, explicou.
O vereador Wesley (MDB) também questionou: “Que estradas, vereador Sidmar, o senhor está vendo em condições de andar? Quantos metros de cascalho vocês colocaram nas estradas? Então, cadê as estradas?”
Falta de trabalho preventivo
Marli analisou a causa do problema atual: “Entendemos que esse período de chuva não é época adequada para fazer manutenção de estradas. O ideal é trabalhar nelas durante o período seco”, ponderou.
A vereadora explicou: “Mas agora seria o momento de agir se a estrada tivesse recebido manutenção adequada. Onde desceu a barreira, onde houve o problema, bastaria fazer o reparo pontual. A situação está caótica justamente porque não foi feito um bom trabalho durante o ano todo”.
Sidmar concordou com a análise, mas fez uma ressalva: “Porém, há um detalhe importante: tiveram oito anos para jogar cascalho nas estradas, fazer calçamento, abrir caminhos no campo, e não fizeram. E nós, com apenas um ano de gestão, precisamos resolver tudo isso?”
Divisas municipais mais abandonadas
Marli destacou um problema específico: “Temos uma lei que permite atuar até 4 km nas divisas. As divisas, as fronteiras, são onde está mais largado, onde as pessoas estão mais sendo esquecidas”.
A vereadora fez uma crítica política: “Quando nós políticos vamos lá pedir voto, lembramos deles. Mas agora eles precisam também ser lembrados, porque tem gente que mora em lugar difícil, mas tem uma vida, tem família, tem idoso, alguém doente, filho para ir à escola”.
Pedido: tirar patrolas do pátio
Sidmar fez um apelo direto: “Peço ao secretário que dê uma trégua, que tire as patrolas do pátio, porque o povo da nossa área rural está precisando”.
40 a 48 pontes de madeira
Sidmar também alertou para outro problema grave: as pontes. “Foi citado o nome do ex-prefeito. No mandato dele teve 40, 45 ou 48 pontes. Isso é herança. Quando a gente entra numa gestão, pega herança. O quê? Ponte de madeira”.
O vereador alertou para os riscos: “Nossos trajetos escolares… Primeiramente Deus está abençoando, mas nossas estradas e pontes estão em péssima qualidade”.
Ao mostrar vídeo do Alto Inês, Sidmar foi dramático: “Alto Inês não está passando do outro lado nem burro ferrado”.
Crítica aos vereadores que não fiscalizam
Sidmar cobrou dos colegas: “Temos vereador lá em Santa Maria de Cima. Até hoje não vi nenhum vereador ir lá e gravar um vídeo: ‘Olha, estou aqui, essa estrada está ruim’, fazer uma cobrança. Vai lá, isso dá um impulso”.
O vereador foi direto: “Respeito o trabalho de cada um, mas quando apresenta trabalho, entendeu? Quando não apresenta, não tenho que respeitar não”.
Secretário atende, mas falta agilidade
Marli reconheceu que o secretário Dieimy é atencioso: “O Dieimy, que é o secretário, sempre atende, responde muito bem as perguntas”.
Porém, cobrou mais rapidez: “Mas o que quero dizer para ele é que precisamos ter agilidade nessas coisas”.
Produtor rural mantém a economia
Marli encerrou defendendo o produtor rural: “Quem traz o alimento para a cidade é o produtor rural, quem mantém a economia é o produtor rural. Somos nós, o produtor que está lá, que mantém o município”.
A vereadora, que mora na zona rural, enfatizou: “Eu moro na roça, sei da dificuldade que enfrentamos todo dia”.
Consenso raro
A situação das estradas representa um dos raros consensos na sessão: vereadores de oposição e situação, de diferentes partidos e regiões, todos concordam que o problema é grave e generalizado. A diferença está apenas na forma de contextualizar (herança versus responsabilidade atual) e nas soluções propostas.








