Brasília (DF) – O cenário de fomento à tecnologia no Brasil ganha fôlego com a injeção de R$ 450 milhões voltados exclusivamente para empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O montante, que integra a segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica, é gerido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e tem como foco principal o apoio a companhias de diversos portes que buscam desenvolver projetos de risco tecnológico com alto potencial de impacto social e regional.
A ampliação do aporte financeiro foi oficializada na sexta-feira (16) pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Inicialmente projetado para R$ 300 milhões, o programa recebeu um reforço de R$ 150 milhões, totalizando a cifra final. De acordo com a ministra, essa estratégia não ocorre de forma isolada, mas como parte de um movimento estrutural de transformação que visa converter conhecimento científico em tecnologia aplicada, gerando novas oportunidades para pesquisadores e para o setor produtivo.
A distribuição geográfica dos recursos obedece a critérios de necessidade e desenvolvimento local. O Nordeste lidera o volume de verba disponível, com R$ 150 milhões destinados à região. Na sequência, o Centro-Oeste conta com R$ 100 milhões, enquanto o Norte recebe R$ 50 milhões. A iniciativa tem como meta impulsionar 114 projetos distintos que se destacam pela capacidade de inovar em áreas sensíveis ao desenvolvimento regional.
Um dos pontos de maior relevância desta rodada é a democratização do acesso ao crédito, com forte adesão de empresas de menor escala. Dados preliminares apontam que 75% das propostas selecionadas originam-se de microempresas — aquelas com faturamento anual inferior a R$ 1 milhão — e empresas de pequeno porte, cujo teto de faturamento é de R$ 4,8 milhões.
Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a subvenção econômica cumpre um papel estratégico na correção de disparidades históricas. Ele argumenta que, ao oferecer recursos não reembolsáveis, o governo assume parte do risco inerente às atividades de desenvolvimento tecnológico, permitindo que empresas muitas vezes limitadas por orçamentos curtos consigam viabilizar inovações que, de outra forma, seriam inviáveis devido à incerteza dos resultados.
O edital busca, em última análise, consolidar um ecossistema onde o setor público atua como indutor do crescimento econômico. Ao compartilhar o ônus do investimento tecnológico, a Finep espera não apenas fomentar novas patentes e produtos, mas reduzir as assimetrias competitivas que historicamente afastam o desenvolvimento científico dos grandes centros urbanos mais consolidados, levando tecnologia e capacidade de inovação para áreas que necessitam de maior integração produtiva.












